Forças turcas caçam grupo de militares rebeldes e repressão se amplia no país

terça-feira, 26 de julho de 2016 19:22 BRT
 

Por Daren Butler e Orhan Coskun

ISTAMBUL/ANCARA (Reuters) - As forças especiais da Turquia, com apoio de helicópteros, drones e da Marinha, caçavam um grupo restante de soldados que, avalia-se, tentaram capturar ou matar o presidente Tayyp Erdogan durante o golpe frustrado, ao mesmo tempo que a repressão contra conspiradores suspeitos se ampliou nesta terça-feira.

Mais de mil integrantes das forças de segurança estavam envolvidos na caçada humana dos 11 soldados rebeldes nas montanhas na região do resort de Marmaris, no Mar Mediterrâneo, onde Erdogan passava férias na noite da tentativa de golpe, disseram autoridades.

Erdogan e o governo acusam o clérigo muçulmano Fethullah Gulen, que mora nos Estados Unidos, de planejar a tentativa de tomar o poder e lançaram uma operação contra os suspeitos de serem seus seguidores. Mais de 60 mil soldados, policiais, juízes e funcionários púbicos foram presos, suspensos ou colocados sob investigação.

O diretório de assuntos religiosos removeu mais 620 funcionários, incluindo pregadores e instrutores, nesta terça, aumentando para mais de 1.100 o número de pessoas que o órgão dispensou desde a tentativa de golpe em 15 de julho.

O ministro do Exterior, Mevlut Cavusoglu, declarou que dois embaixadores turcos, atualmente em Ancara, também foram removidos. Huseyin Avni Mutlu, ex-governante de Istambul, foi detido, e sua casa foi revistada.

“Não há instituição em que essa estrutura não tenha se infiltrado”, afirmou o genro de Erdogan e ministro da Energia, Berat Albayrak, numa entrevista na TV, se referindo à rede de seguidores de Gulen.

"Todas as instituições estão sendo checadas e serão checadas”, disse ele. A resposta das autoridades turcas seria justa, segundo ele, e não representava uma caça às bruxas.

A tentativa de golpe levantou questionamentos em particular sobre a Força Aérea, que teve integrantes importantes profundamente envolvidos, e poderia levar a uma nova investigação de incidentes passados, incluindo a derrubada de um avião de guerra russo perto da fronteira com a Síria no ano passado, declarou Albayrak.