ENTREVISTA-Lars Grael diz temer que lixo na Baía de Guanabara atrapalhe regatas

sexta-feira, 12 de agosto de 2016 10:59 BRT
 

Por Jeb Blount

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O velejador Lars Grael, que conquistou duas medalhas olímpicas de bronze para o Brasil, teme que os iatistas olímpicos se deparem com lixo e sacos plásticos nas provas da Baía da Guanabara nesta sexta-feira.

A baixa das marés irá diminuir a água nas raias, e a chuva, que já tinha começado a cair na manhã desta sexta-feira, pode levar dejetos através das correntes, disse Grael a respeito do local, no qual veleja há quase meio século.

"Estou preocupado que amanhã (sexta) os barcos fiquem presos em sacos plásticos ou se choquem com lixo", disse ele à Reuters na Marina da Glória. "As condições estarão perfeitas para isso. Os organizadores terão que trabalhar duro para recolher o lixo".

Grael, de 52 anos, que conquistou medalhas na hoje extinta prova da classe Tornado na Olimpíadas de Seul 1988 e Atlanta 1996, queria que a competição de vela da Olimpíada do Rio de Janeiro fosse realizada em Búzios, que fica três horas de carro ao norte da capital fluminense e conta com águas mais limpas e ventos mais regulares.

A poluição da água da Baía de Guanabara tem sido um tema polêmico durante toda a preparação para os Jogos e assombra os organizadores desde que o Rio conquistou o direito de sediar o evento sete anos atrás.

A promessa de limpar a baía por meio da construção de novas tubulações de esgoto e de estações de tratamento, junto com a coleta de toneladas de lixo trazidas pela chuva, praticamente não foi cumprida.

Embora estudos tenham revelado níveis altos de patógenos causadores de doenças na Baía de Guanabara, o comitê organizador da Rio 2016 e a Federação Internacional de Vela disseram na quarta-feira que analisam os testes de água diários do governo.

Os exames mostram, dizem, que as raias estão dentro dos limites da Organização Mundial da Saúde (OMS) para um "contato primário" seguro, como o nado. A vela é considerada "contato secundário" e menos perigoso.   Continuação...

 
Regata da classe 470 na Baía de Guanabara. 11/08/2016 REUTERS/Brian Snyder