ESTREIA–“A Maldição da Floresta” cria terror a partir de folclore irlandês

quarta-feira, 5 de outubro de 2016 18:19 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - “A Maldição da Floresta” é um raro exemplar de terror irlandês que parte da mitologia e folclore local para criar sua trama.

Primeiro longa do premiado diretor de curtas de animação Corin Hardy, o filme cria uma atmosfera macabra, que parece uma combinação entre “Sob o Domínio do Medo” e as fantasias do espanhol Guillermo del Toro. O modelo funciona muito bem até a sua metade, quando a sugestão dá espaço ao explícito, quebrando o clima e servindo como pretexto para sanguinolência.

O casal Adam (Joseph Mawle) e Clare (Bojana Novakovic) mudam-se com o filho bebê para uma região coberta por uma floresta condenada na Irlanda. Ele é um especialista em árvores cujo estudo deverá convencer os moradores locais de que região precisa ser desmatada. Em uma de suas primeiras andanças, ele se depara com uma espécie desconhecida de fungo e leva uma amostra para casa, onde fará testes.

A família é hostilizada por moradores dos arredores, que querem preservar a mata, porque sua destruição liberaria todas as criaturas fantásticas que lá habitam e iriam se vingar. Um dos vizinhos do casal acredita que sua filha pequena foi sequestrada pela floresta tempos atrás, e por isso nunca mais voltou.

Durante boa parte do tempo, o diretor – que assina o roteiro com Felipe Marino - preocupa-se em criar uma tensão e sugestão sobre o que realmente estaria acontecendo. São os seres folclóricos que estão causando transtornos na casa de Adam e Clare? Ou os vizinhos querendo assustá-los ? Aos poucos, a sugestão abre espaço para seres bizarros e o filme, então, combina a trama do fungo – capaz de colonizar corpos e mentes – e a das criaturas míticas.

Esse é o momento em que “A Maldição da Floresta” deixa de lado toda tensão que pacientemente construiu para se tornar um terror genérico, com perseguições, sangue e sustos baratos. De qualquer forma, Hardy mostra talento para criação de atmosfera e construção de personagens – mesmo deixando tudo isso de lado a certa altura –, o que pode ser mais bem desenvolvido em seus próximos filmes. É, de certa forma, um diretor a se prestar atenção.

(Por Alysson Oliveira, do Cineweb)

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