SUMMIT-Brasil quer elevar gasto com defesa de 1,5% para 2% do PIB

quarta-feira, 30 de maio de 2012 20:10 BRT
 

Por Ana Flor e Jeferson Ribeiro

BRASÍLIA, 30 Mai (Reuters) - O Brasil pretende aumentar seus gastos na área de defesa dos cerca de 1,5 por cento atuais do Produto Interno Bruto para 2 por cento em até dez anos, afirmou nesta quarta-feira o ministro da Defesa.

O crescimento, segundo Celso Amorim, faz parte de um ajuste para que o Brasil se aproxime do investido por outros países dos Brics -que investem mais, em média 2,5 por cento do PIB.

"Temos que nos acostumar a olhar quais são os parâmetros de comparação. O Brasil é um país sul-americano, latino-americano... mas o Brasil também é um dos Brics e não pode se deixar de ver dessa maneira diante de um mundo em que nós ainda não conseguimos banir o conflito", disse Amorim em entrevista durante o Reuters Latin American Investment Summit.

O ministro acrescentou que o Brasil precisa se preparar para situações como "uma corrida por recursos naturais".

"Nós temos que estar preparados para reagir ou até dissuadir alguma tentativa de invasão no território nacional ou nos seus recursos", disse.

Para atingir a meta, entretanto, o governo precisará reverter o movimento dos anos recentes, em que o orçamento da pasta sofreu cortes. Em 2011, por exemplo, o orçamento para custeio e investimento da pasta foi 1,1 bilhão de reais inferior ao de 2010, somando 14,6 bilhões de reais.

Para 2012, o ministério prevê 13,2 bilhões de reais para custeio e investimento e tem uma promessa para elevar esse orçamento em mais 1,6 bilhões de reais. Esses valores desconsideram os gastos com a folha de pagamento, que consome a maior parte dos recursos destinados para a área de defesa.

Amorim argumentou que um aumento desse percentual de investimentos em defesa pode levar o país novamente à condição de exportador de material bélico.   Continuação...

 
O ministro da Defesa, Celso Amorim, participa do Reuters Latin American Investment Summit, em Brasília, nesta quarta-feira. 30/05/2012 REUTERS/Ueslei Marcelino