Setor automotivo terá dificuldade para atingir metas

quarta-feira, 6 de junho de 2012 16:23 BRT
 

Por Alberto Alerigi Jr.

SÃO PAULO, 6 Jun (Reuters) - As montadoras instaladas no Brasil encaram o segundo semestre com otimismo, mas a associação que representa o setor reconhece que será "complicado" obter um nível de vendas no restante do ano suficiente para pelo menos igualar o volume de licenciamentos recorde do ano passado.

Nos cinco primeiros meses do ano, as vendas de veículos novos no Brasil somaram 1,36 milhão de unidades, uma queda de 4,8 por cento sobre o mesmo período do ano passado.

Para conseguir se equiparar ao recorde de vendas de 3,6 milhões de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus do ano passado, o setor terá que ter vendas de cerca de 324 mil unidades por mês entre junho e dezembro, nível não visto ainda neste ano e superado apenas duas vezes em 2011, nos meses de agosto e dezembro.

"Recuperar essa queda em sete meses é complicado", disse nesta quarta-feira o presidente da associação dos fabricantes de veículos, Anfavea, Cledorvino Belini. "É complicado, mas não impossível."

Por enquanto, a Anfavea, que já informou que deve rever suas projeções de crescimento do mercado interno em julho, trabalha com expectativa de expansão de 4 a 5 por cento nas vendas em 2012, para entre 3,77 milhões e 3,81 milhões de unidades.

Segundo Belini, também presidente do grupo Fiat para a América Latina, a expectativa do setor é que a queda de 4 pontos percentuais nos juros promovida pelo governo desde agosto passado tenha efeito sobre as vendas de veículos nos próximos meses.

Isso pode evitar a necessidade de uma prorrogação na medida adotada em maio, que reduziu o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de veículos até o fim de agosto.

"Não estamos considerando prorrogação do (corte) do IPI, consideramos que a economia vai crescer e que isso vai impulsionar o consumo", disse Belini.   Continuação...

 
Um brasileiro monta um carro da Volkswagen numa montadora em São Bernardo do Campo, próximo a São Paulo, 6 de abril de 2011. REUTERS/Nacho Doce