14 de Junho de 2012 / às 12:38 / 5 anos atrás

Vendas no varejo brasileiro sobem só 0,8% em abril--IBGE

Homem carrega sacola plástica com gasolina em Brasília. As vendas no varejo brasileiro tiveram alta de 0,8 por cento em abril ante março e registraram elevação de 6 por cento em relação a igual mês de 2011, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 24/03/2012Ueslei Marcelino

Por Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO, 14 Jun (Reuters) - As vendas no varejo brasileiro tiveram alta de 0,8 por cento em abril ante março e registraram elevação de 6 por cento em relação a igual mês de 2011, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira.

Os números vieram abaixo do esperado pelo mercado, mas mostram uma pequena recuperação da atividade. Analistas ouvidos pela Reuters previam que as vendas no varejo subiriam 1,4 por cento em abril ante março, de acordo com a mediana das projeções de 17 analistas. As estimativas variaram de queda de 0,50 por cento a alta de 2,50 por cento.

Em relação ao mesmo mês do ano anterior, a expectativa era de aumento nas vendas de 7,5 por cento.

"O comércio já começa a evidenciar melhoras pegando um gancho com políticas de estímulo adotadas no fim do ano passado para linha branca" afirmou à Reuters a coordenadora da pesquisa, Aleciana Gusmão, acrescentando que as recentes medidas de incentivo adotadas pelo governo para o setor automotivo ainda não surtiram efeito.

O IBGE, por outro lado, melhorou um pouco os dados de março sobre fevereiro, cuja alta passou de 0,2 para 0,3 por cento agora.

Segundo o IBGE, oito das dez atividades pesquisadas tiveram resultados positivos na comparação mensal. Os principais destaques foram combustíveis e lubrificantes (+2,5 por cento), material de construção (+1,8 por cento), móveis e eletrodomésticos (+1,5 por cento), entre outros.

Na ponta oposta, apresentaram queda nas vendas os segmentos de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-0,8 por cento) e livros, jornais, revistas e papelaria (-2,9 por cento).

"A queda nas vendas dos hipermercados tem a ver com o calendário. No ano passado, a Páscoa caiu na segunda semana de abril... Agora, em 2012, a Páscoa foi no começo de abril, e muitas das compras foram feitas no fim de março" afirmou o economista do IBGE Reinaldo Pereira.

Na comparação anual, ainda segundo o IBGE, seis das oito atividades registraram crescimento, como móveis e eletrodomésticos (12,1 por cento), hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (3,6 por cento) e equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (33,2 por cento).

Segundo o IBGE, o segmento de móveis e eletrodomésticos teve o maior impacto na formação da taxa em abril, refletindo "a política do governo de incentivo ao consumo através da redução de alíquotas de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para a chamada linha branca". Além disso, completou, a melhora no nível de emprego e renda também ajuda.

Tiveram queda nas vendas, na comparação anual, os segmentos de livros, jornais, revistas e papelaria (-4,3 por cento) e tecidos, vestuário e calçados (-1,1 por cento).

O resultado no comércio varejista é um importante indicador da atividade econômica no país, que ainda encontra dificuldades em mostrar recuperação.

A produção industrial, por exemplo, registrou a segunda queda seguida em abril ao recuar 0,2 por cento frente a março. Diante disso, o emprego no setor contraiu 0,3 por cento no mesmo período.

Esses fracos desempenhos ajudam a puxar a atividade do país para baixo. No primeiro trimestre deste ano, o Produto Interno Bruto (PIB) do país cresceu apenas 0,2 por cento quando comparado com o quarto trimestre de 2011, abaixo das expectativas do mercado e do próprio governo.

O cenário é preocupante e a equipe econômica da presidente Dilma Rousseff continua dando sinais de que deve adotar mais medidas de estímulo. O próprio ministro da Fazenda, Guido Mantega, já indicou que mais medidas estão a caminho.

O Banco Central também vem tentando impulsionar a economia, e uma das medidas tem sido a redução da Selic. No final de maio, a autoridade monetária reduziu a taxa básica em 0,50 ponto percentual, para o recorde mínimo de 8,50 por cento ao ano, e deixou a porta aberta para mais cortes "com parcimônia."

Reportagem adicional de Diogo Ferreira Gomes

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