ANÁLISE-Brasil perde chance de estimular sustentabilidade

sexta-feira, 15 de junho de 2012 19:04 BRT
 

Por Eduardo Simões e Hugo Bachega

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO, 15 Jun (Reuters) - O Brasil assume a responsabilidade de ser o anfitrião de uma conferência internacional sobre sustentabilidade em meio à crise econômica global, mas perde a chance de assumir a dianteira ao emitir sinais fracos de estar realmente caminhando em direção de uma "economia verde".

Nas vésperas da Rio+20, cujas discussões devem ser ofuscadas pela atual crise financeira, a presidente Dilma Rousseff adotou discurso de conciliar crescimento econômico com preservação do meio ambiente, sob a tríade "crescer, incluir e preservar".

Mas, até agora, as ações do governo têm sido mais intensas para alcançar os dois primeiros objetivos, com medidas tímidas para se chegar ao terceiro.

O governo lançou uma série de medidas para impulsionar o consumo, entre elas redução nos juros e impostos, como o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de alguns veículos, para socorrer a indústria automotiva.

Isso às vésperas de um encontro para se discutir desenvolvimento sustentável.

"No caso das medidas de reaquecimento da economia, tem havido muito pouco conteúdo ambiental", disse à Reuters o embaixador Rubens Ricupero, ex-ministro do Meio Ambiente e da Fazenda, cargos que ocupou durante o governo Itamar Franco (1992-1994).

A conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) ocorre 20 anos após a Rio92, considerada um marco nas discussões sobre meio ambiente, e na qual o Brasil foi um dos principais líderes.

Duas décadas depois, o país pode ter perdido parte de seu protagonismo, ao deixar de estimular a sustentabilidade enquanto tenta reaquecer sua economia, após uma expansão fraca do Produto Interno Bruto no primeiro trimestre do ano.   Continuação...

 
Soldado do Exército brasileiro patrulha a área do Rio Centro, onde acontece a conferência da Rio+20, no Rio de Janeiro. 12/06/2012 REUTERS/ Ricardo Moraes