17 de Junho de 2012 / às 20:38 / 5 anos atrás

Socialistas obtêm ampla maioria no Parlamento francês

PARIS 17 Jun (Reuters) - (Acrescenta detalhes, contexto)

O Partido Socialista, do presidente francês, François Hollande, obteve maioria absoluta nas eleições parlamentares deste domingo, fortalecendo a sua posição num momento em que pressiona a Alemanha a apoiar países endividados da zona do euro que estão sendo duramente afetados por medidas de austeridade e por bancos enfraquecidos.

O bloco socialista conquistou entre 296 e 320 cadeiras no segundo turno da eleição parlamentar, de acordo com projeções confiáveis da contagem parcial dos votos. Esses números lhe dão um número confortável de deputados, que supera os 289 votos necessários para a maioria na Assembleia Nacional, de 577 cadeiras.

O resultado significa que, para a aprovação de leis, Hollande não terá de depender de seus aliados ambientalistas, os Verdes, que segundo as projeções devem obter 20 assentos, ou da Frente de Esquerda, dominada pelos comunistas, e prestes a eleger apenas 10 deputados. A centro-esquerda já controla a câmara alta do Parlamento, o Senado.

A Frente Nacional, legenda de extrema direita contrária à imigração, teve um grande momento ao conquistar suas primeiras cadeiras no Parlamento desde o fim dos anos 1980. Sua carismática líder, Marine Le Pen, perdeu sua cadeira parlamentar por uma pequena margem em uma cidade de maioria operária no norte do país, mas Marion Marechal Le Pen, de 22 anos, neta do fundador do partido, Jean-Marie Le Pen, foi eleita na cidade de Carpentras, no sul.

O triunfo da esquerda dá aos socialistas mais poder do que jamais tiveram antes na França, num momento em que Hollande pressiona por novas estratégias para estimular o crescimento na fragilizada zona do euro e por um banco da União Europeia que possa proteger correntistas e Estados no caso de bancos falirem.

A turbulência política na Grécia, onde os partidos que apoiam o pacote internacional de resgate da economia do país estavam prestes a conseguir a vitória na eleição parlamentar deste domingo- o que continuará deixando muitos problemas sem resolver -, está aumentando a pressão sobre os líderes europeus para que, numa cúpula no final deste mês, tomem medidas no sentido de conter a crise da dívida na zona do euro.

PACTO DE CRESCIMENTO

A vitória de domingo pode ajudar Hollande a assegurar apoio parlamentar para ações visando a uma união fiscal na zona do euro, exigida pela Alemanha como condição para concordar com sua reivindicação de um pacto pelo crescimento, e reformas para melhorar a estabilidade financeira do bloco.

O líder socialista parte para o México na segunda-feira para a cúpula do G20, que será dominada pelos problemas da zona do euro e a disputa com sua principal economia, a Alemanha, sobre como resolver a crise que provoca desentendimentos públicos.

Hollande, um social-democrata pró-União Europeia, rompeu com o domínio franco-alemão estabelecido na presidência de seu antecessor, Nicolas Sarkozy, e está se alinhando com Estados sul-europeus que pedem mais flexibilidade nas metas de déficits.

Ele também defende uma união bancária europeia que dê ao Banco Central Europeu poder para supervisionar bancos dos países membros, com uma garantia de depósitos conjuntos e um fundo para garantir que o colapso de bancos afete primeiro os acionistas, e só depois os cidadãos que pagam impostos.

Agora que a direita ficou seriamente enfraquecida, o maior poder de Hollande será uma benção para ele, que se prepara para buscar a aprovação de leis nas próximas semanas com a finalidade de elevar impostos e ratificar um pacto de disciplina fiscal da União Europeia.

Hollande foi eleito em 6 de maio, após os eleitores punirem Sarkozy por não ter reduzido o elevado desemprego durante a crise econômica de três anos e por seu estilo de governo, considerado muito pessoal, o que desagradava à maioria.

A vitória parlamentar socialista, obtida apesar do baixo comparecimento às urnas (de 46,2 por cento), deixa Hollande sem precisar ter de recorrer à oposição conservadora ou aos esquerdistas radicais, eurocéticos, e também deverá permitir que mantenha intacto seu gabinete de governo amplamente social-democrata e pró-Europa.

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