Síria comanda rede de centros de tortura, aponta relatório

terça-feira, 3 de julho de 2012 15:23 BRT
 

NOVA YORK, 3 Jul (Reuters) - As agências de inteligência sírias estão operando uma rede de centros de tortura em todo o país onde os detentos são espancados com cassetetes e cabos, queimados com ácido e sofrem violência sexual, informou o Human Rights Watch em um relatório nesta terça-feira.

Os abusos com aval do Estado representam crimes contra a humanidade que devem ser investigados pelo Tribunal Penal Internacional, disse o grupo de campanha com sede em Nova York.

O relatório identificou 27 centros de detenção que as agências de inteligência estariam usando desde março de 2011, quando o governo do presidente Bashar al-Assad começou a repressão aos protestos pró-democracia que se transformaram em uma revolta armada.

O governo da Síria não respondeu imediatamente às acusações que foram ecoadas em relatórios anteriores da Organização das Nações Unidas.

O Human Rights Watch disse que dezenas de milhares de pessoas foram detidas pelo Departamento de Inteligência Militar da Síria, a Direção de Segurança Política, a Direção Geral de Inteligência e da Direção de Inteligência da Força Aérea.

O grupo informou que realizou mais de 200 entrevistas com pessoas que disseram que foram torturadas, incluindo um homem de 31 anos que foi detido na área de Idlib em junho e teve que se despir.

"Então eles começaram a apertar meus dedos com um alicate. Eles colocaram grampos nos meus dedos, peito e ouvidos. Eu só podia tirá-los se eu falasse. Os grampos nas orelhas eram os mais dolorosos", teria dito ele.

"Eles usaram dois fios ligados a uma bateria de carro para me dar choques elétricos. Eles usaram armas de choque nos meus genitais duas vezes. Eu pensei que nunca iria ver minha família novamente. Eles me torturaram assim três vezes em três dias", acrescentou.

O Human Rights Watch afirmou que documentou mais de 20 métodos de tortura que "apontam claramente para uma política de Estado de tortura e maus-tratos e, portanto, constituem um crime contra a humanidade".   Continuação...

 
Manifestantes participam de um protesto contra o presidente Bashar al-Assad, da Síria, na área de kfr Suseh em Damasco, na Síria. 2/07/2012 REUTERS/Shaam News Network/Divulgação