Hollande promete lutar contra o desemprego e a corrupção

sábado, 14 de julho de 2012 16:14 BRT
 

Por Daniel Flynn e John Irish

PARIS, 14 Jul (Reuters) - O presidente francês, François Hollande, marcou as celebrações do Dia da Bastilha neste sábado com promessas de lutar contra demissões de trabalhadores da indústria e de limpar a política francesa, após assistir à parada das tropas pela Champs Élysées, enquanto jatos coloriam os céus com as cores do país.

O primeiro Dia Nacional do líder socialista desde que ganhou as eleições em maio foi ofuscado por um clamor contra as demissões em massa anunciadas pela montadora de veículos Peugeot, e por um escândalo sobre sua vida pessoal que põe em risco sua imagem de uma pessoa bastante normal.

Revivendo a tradição de conceder uma entrevista televisiva no 14 de julho, abolida por seu antecessor Nicolas Sarkozy, Hollande disse que a França tem que fazer um "esforço" para restaurar suas finanças públicas, mas descartou o tipo doloroso de austeridade que gera protestos na Espanha e na Itália.

"Minha missão é de ajudar a França a se recuperar, e dar a ela um futuro. Os empregos são a minha prioridade", disse Hollande durante a entrevista na sede da Marinha do país, com vista para a Praça da Concórdia, onde centenas foram guilhotinados durante a revolução.

Hollande, que prometeu durante sua campanha conter o maior nível de desemprego no país em 12 anos, enfrenta um grande desafio, após a Peugeot anunciar na quinta-feira que iria cortar 8 mil empregos na França.

Acusando a gerência da empresa de ter cometido erros estratégicos e enganado o público sobre suas verdadeiras intenções, Hollande disse que não poderia aceitar o plano de reestruturação da maneira que era apresentado, e prometeu incentivos públicos para ajudar as montadoras francesas.

A parada --que terminou com paraquedistas pousando na frente da tribuna presidencial-- aconteceu em meio à luta de Paris para diminuir um dos mais altos níveis de gastos públicos na Europa Ocidental para atingir a meta de déficit da União Europeia de 3 por cento do PIB do próximo ano.

Na semana passada, o governo anunciou novos impostos de 7,2 bilhões de euros a fim de conter o déficit orçamentário, e precisa encontrar 33 bilhões de euros em 2013 para conseguir atingir as metas de déficit na Europa.