ANÁLISE-Siderúrgicas elevam preços, mas alívio é curto

segunda-feira, 16 de julho de 2012 19:06 BRT
 

Por Alberto Alerigi Jr.

SÃO PAULO, 16 Jul (Reuters) - As produtoras de aço do Brasil promoveram recentemente algo que não faziam há cerca de um ano: aumento de preços de uma grande variedade de produtos. Mas longe de ter impactos contundentes nos resultados das siderúrgicas, os reajustes devem se diluir ao longo dos próximos meses em meio a um cenário ainda desafiador para o setor.

Na área de aços planos, que enfrenta mais dificuldades que o segmento de longos por conta da fraqueza da indústria brasileira e de importações diretas e indiretas de aço pelo país, a Usiminas elevou preços a distribuidores em 5 a 7 por cento no início de julho, seguida por ArcelorMittal, com reajustes de até 8,5 por cento, e CSN mais para o fim deste mês.

Mas a notícia relativamente positiva, em meio ao pessimismo que envolve o setor, não gerou impacto significativo nas ações, com a preferencial da Usiminas acumulando queda de 5,5 por cento em julho até o fechamento desta segunda-feira (16) e CSN mostrando baixa de quase 8 por cento. Nesse intervalo, o Ibovespa recuou quase 2 por cento.

Na avaliação de analistas, os reajustes não foram grandes o bastante para alavancar as margens de lucro operacional do setor e tampouco há otimismo sobre chance de novos aumentos de preços até o encerramento do ano.

"Sem dúvida, os reajustes vieram em boa hora. Tinha muito tempo que os preços não subiam no Brasil (...) Mas dificilmente o aumento vai ser implementado no curto prazo, vai ter um pouco de impacto no terceiro trimestre e um pouco de impacto no quarto trimestre", disse o analista Marcos Assumpção, do Itaú BBA, que acompanha os setores de siderurgia, mineração e papel e celulose.

"Ajuda um pouco o resultado das empresas, que vinham numa tendência muito negativa (...) É uma notícia boa, só que marginal", acrescentou o analista, considerando os reajustes como "pequenos" para melhorar a rentabilidade do setor.

A Usiminas, por exemplo, sofreu de janeiro a março seu primeiro prejuízo trimestral em dois anos, quando as despesas aumentaram e a receita caiu.

Depois de fazer reajuste na distribuição, as siderúrgicas terão de negociar aumentos na indústria, que é responsável por 70 por cento do consumo do aço produzido pelas usinas e trabalha com contratos de prazos mais longos.   Continuação...