July 21, 2012 / 7:36 PM / 5 years ago

Energéticas espanholas reforçam luta contra novos impostos

3 Min, DE LEITURA

Por Carlos Ruano e Sarah White

SÃO PAULO, 21 Jul (Reuters) - Os principais grupos de fornecimento de energia da Espanha, Iberdrola, Endesa e Gas Natural, intensificaram uma desesperada campanha contra os novos impostos para o setor, alertando o governo que as reformas poderão atrapalhar seus lucros no país.

As três empresas enviaram uma carta com reivindicações ao primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, pedindo uma reunião urgente, antes das reformas que poderão ser sancionadas no final do mês, segundo uma fonte de uma grande empresa de serviços.

As prestadoras de serviços públicos do país há anos têm cobrado dos clientes menos que o custo de produção da energia, gerando um déficit tarifário de 24 bilhões de euros (29,2 bilhões de dólares) que o governo tem absorvido e que agora espera reduzir, com a cobrança dos impostos para a indústria.

As empresas anunciaram há duas semanas que arrecadariam cerca de 65 bilhões de euros em novos cortes nos gastos e aumentos de impostos, que afetarão os funcionários públicos, mas não deram detalhes sobre de onde virá a economia de 8,6 bilhões de dólares.

Grande parte do déficit seria compensado pelos impostos do setor de energia.

As grandes empresas de energia, consideradas um poderoso lobby na Espanha, têm enfrentado o governo sobre as reformas.

Em uma recente reunião de um grupo de lobby corporativo presidido pelo presidente da Telefónica, Cesar Lierta, o presidente da Iberdrola, Ignácio Sánchez Galán, teve uma discussão 'muito tensa' com o Ministro da Indústria, José Manuel Soria, disse uma fonte do setor, na reunião.

Galán também foi um dos signatários da carta enviada a Rajoy, junto com os presidentes da Gas Natural e da Endesa, Salvador Gabarro e Borja Prado.

Na carta, as empresas argumentaram que elas podem até vir a registrar prejuízos futuros na Espanha, disse a primeira fonte.

Das três empresas, a Iberdrola foi a que sofreu a maior queda nos preços de suas ações nos últimos meses, com uma queda de 37 por cento desde o começo do ano. A Endesa, empresa da Italiana Enel, viu seus títulos perderem 23,5 por cento do valor no mesmo período.

O plano de aumentar os impostos sobre os grupos de energia poderia ajudar a arrecadar 6,8 bilhões de euros, de acordo com um documento obtido pela Reuters na semana passada, com uma proposta do governo.

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