Bradesco desaponta no 2o tri, quer manter rentabilidade

segunda-feira, 23 de julho de 2012 15:12 BRT
 

Por Aluísio Alves e Guillermo Parra-Bernal

SÃO PAULO (Reuters) - Aumento da eficiência e das receitas com tarifas foi a receita sinalizada pelo Bradesco para enfrentar um mix de crédito fraco e calotes em alta, que fizeram o banco reportar lucro do segundo trimestre abaixo do previsto pelo mercado.

Refletindo a frágil atividade econômica no período, o segundo maior banco privado do país viu sua carteira de crédito crescer 14,1 por cento no comparativo anual, a 364,96 bilhões de reais, em ritmo inferior ao que previu para o ano.

"A retomada da economia foi postergada mais para a frente", disse o presidente-executivo do grupo, Luiz Carlos Trabuco, em teleconferência com jornalistas.

Isso, mesmo com o governo pressionando os bancos a reduzir os custos de financiamento a partir de abril, com os estatais Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal à frente.

Mas não foi só a expansão lenta do crédito o único fator a pesar no resultado do Bradesco. Os calotes, medidos pelas operações vencidas há mais de 90 dias, atingiram 4,2 por cento entre abril e junho, ante 3,7 por cento em igual período de 2011. Foi o quinto trimestre seguido de alta.

O movimento foi puxado por um surpreendente aumento na inadimplência no segmento de grandes empresas, cuja taxa pulou de 0,4 para 0,9 por cento de março para junho. "Foi um ajuste preventivo na carteira de grandes empresas", disse Trabuco, referindo-se a uma reclassificação da carteira e que o movimento não preocupa, pois é pontual.

Já no varejo e nas micro, pequenas e médias empresas, os índices ficaram estáveis em 6,2 e 4,2 por cento, respectivamente, na base sequencial, embora tenham crescido 0,5 ponto percentual no ano a ano.

Com o aumento na inadimplência, as despesas do banco com provisões para perdas com devedores somaram 3,4 bilhões de reais no período, volume 39,8 por cento maior ante igual etapa de 2011.   Continuação...