July 23, 2012 / 6:05 PM / 5 years ago

Sírios de classe média e alta também fogem para o Líbano

3 Min, DE LEITURA

Por Issam Abdallah

PASSAGEM DA FRONTEIRA DE MASNAA, Líbano, 23 Jul (Reuters) - A maioria dos carros que deixa a Síria pela passagem da fronteira de Masnaa está lotada de famílias pobres, com malas empilhadas sobre o capô. Assim, o LandCruiser com ar-condicionado, vidros escuros e placas de Damasco se sobressaiu.

De poucas palavras, o motorista disse ser turista.

'Não há nada acontecendo na Síria. Viemos para um descanso de seis dias em Beirute', afirmou ele.

A maioria dos sírios que foge da guerra civil que aflige seu país natal há 16 meses é formada por agricultores humildes que buscam abrigo nas casas de famílias libanesas, em tendas improvisadas ou prédios abandonados.

Mas nem todos são assim. Agora que a guerra civil chegou até mesmo aos bairros mais ricos de Damasco, outra classe de refugiados tem aparecido com estilo, fugindo em Porsches, ficando nos hotéis de luxo de Beirute, frequentando os clubes noturnos e jantando nos restaurantes da marina.

Dezenas de milhares de refugiados já foram para o Líbano. Até a semana passada, as autoridades libanesas registravam que por volta de 20 mil pessoas cruzavam a fronteira diariamente.

A elite de Damasco permaneceu em boa parte leal a Assad, enquanto as forças dele reprimem uma insurreição no interior por meio da força.

Hoje, os sírios ricos e de classe média que fugiram para o Líbano procuram ser cautelosos e resistem discutir sobre política. Os entrevistados pela Reuters pediram que seus nomes não fossem citados a fim de proteger os familiares que permaneceram na Síria ou evitar retaliação quando voltarem ao país.

Há meses é evidente a presença dos sírios ricos em Beirute. Crianças sírias estão matriculadas nas escolas de ponta. BMWs com placas de Damasco circulam pela cidade.

No distrito de Hamra, centro, com as principais lojas de moda e cafés, adolescentes vestindo um véu branco, popular em Damasco, agora podem ser vistas entre as garotas libanesas com chinelos e shorts jeans.

Sentados em um café do lado de um hotel de Hamra, cuja diária custa mais de 100 dólares, um grupo de homens sírios debate os acontecimentos na Síria.

'A situação não está nada boa em Damasco. Viemos para cá, mas esperamos voltar em alguns dias', disse um deles, que, assim como outros, não quis que seu nome fosse citado nem dar detalhes sobre a situação na Síria.

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