Atividade mais fraca reduz primário do Brasil no 1º semestre

terça-feira, 31 de julho de 2012 13:49 BRT
 

Por Tiago Pariz

BRASÍLIA, 31 Jul (Reuters) - A fragilidade da atividade econômica afetou as contas públicas do país no primeiro semestre deste ano. Segundo dados do Banco Central divulgados nesta terça-feira, o superávit primário do país recuou 16,03 por cento, para 65,659 bilhões de reais no período, comparado com um ano antes.

O número equivale a 47 por cento da meta oficial projetada para o ano, de 139,8 bilhões de reais, ou cerca de 3,1 por cento do Produto Interno Bruto (PIB).

Só no mês passado, a economia feita pelo setor público para pagamento de juros ficou em 2,794 bilhões de reais, abaixo do esperado pelo mercado, de 6 bilhões de reais segundo pesquisa Reuters, e 79,1 por cento menor do que junho de 2011.

Em 12 meses até junho, o superávit primário foi equivalente a 2,71 por cento do PIB. Desde fevereiro passado, quando atingiu o pico de 3,31 por cento, esse percentual vem se reduzindo.

O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Tulio Maciel, atribuiu o resultado orçamentário às quedas em receitas extraordinárias --recursos fora da arrecadação tributária.

Segundo o BC, na comparação com janeiro a junho de 2011, houve redução de 4,7 bilhões de reais em receita com Refis, de 2,3 bilhões de reais com dividendos de empresas estatais e crescimento de 7,6 bilhões de reais com investimentos federais, incluindo o Minha Casa, Minha Vida.

Maciel admitiu também que a moderação da receita tributária, reflexo da fragilidade econômica afetada pela crise internacional, também teve impacto no desempenho primário do orçamento.

"Há uma moderação de receita pela atividade econômica e o determinante foi a queda nas receitas extraordinárias", afirmou ele, acrescentando que o comportamento de Estados e municípios também pesou nas contas.   Continuação...