Ao entrar no Mercosul, Venezuela distribui promessas de recursos

terça-feira, 31 de julho de 2012 20:56 BRT
 

Por Ana Flor

BRASÍLIA, 31 Jul (Reuters) - No dia de sua entrada oficial como membro pleno do Mercosul, a Venezuela aproveitou para anunciar investimentos e a compra de produtos dos parceiros do bloco econômico nesta terça-feira, em uma demonstração de força como uma das potências do grupo.

Em Brasília, para a reunião dos chefes de Estado que chancelou a Venezuela como o quinto país membro do bloco, formado por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, presenciou a assinatura de um acordo para a compra de jatos da Embraer em um negócio que pode chegar a 900 milhões de dólares.

Com a Argentina, Chávez anunciou uma parceria entre a estatal venezuelana de petróleo PDVSA com a YPF, sem dar detalhes financeiros, e em uma reunião bilateral com o presidente do Uruguai, José Mujica, acertou uma linha hídrica entre os dois países e sinalizou possíveis acordos automotivos.

A Venezuela só conseguiu aderir ao Mercosul, acordo que vinha sendo negociado desde 2006, porque o bloco suspendeu o Paraguai em junho por discordar da legitimidade do impeachment do presidente Fernando Lugo. Devido à suspensão, o Paraguai não participou da reunião em Brasília.

O Parlamento paraguaio era o único que não tinha chancelado a adesão venezuelana ao grupo.

A entrada da Venezuela elevou o Produto Interno Bruto (PIB) do Mercosul a 3,3 trilhões de dólares e a 83,25 por cento da economia sul-americana.

"A entrada da Venezuela (no Mercosul) é um trunfo extraordinário porque incorpora um grande mercado e permite com que todo o Mercosul tenha acesso a reservas minerais e energéticas", disse o assessor especial da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia.

Em discurso no Planalto, Chávez comemorou dizendo que "nosso norte é o sul". "vocês nos permitem ser nós mesmos", completou ele, ao se referir à aprovação da entrada de seu país ao grupo.   Continuação...