FMI diz que falta ação para evitar contágio da crise do euro

quinta-feira, 2 de agosto de 2012 22:12 BRT
 

WASHINGTON, 2 Ago (Reuters) - O Fundo Monetário Internacional (FMI) pediu nesta quinta-feira uma "política decisiva" na zona do euro para impedir a disseminação da crise da dívida, que a instituição diz estar agora claramente engolfando todo o bloco monetário e seus vizinhos menores.

Um relatório do FMI sobre efeitos, o qual examina como as políticas econômicas das chamadas cinco economias sistêmicas --Estados Unidos, China, zona do euro, Japão e Reino Unido-- afetam uma à outra e também o restante do mundo, salientou que a crise na zona do euro é de longe a maior preocupação dos formuladores de políticas.

O FMI afirmou ter consultado 35 países para a elaboração do relatório, incluindo um seleto número de economias emergentes, como Brasil, República Tcheca, Índia, África do Sul, Turquia, Rússia, Coreia do Sul, Polônia, México e Arábia Saudita.

"Apesar do progresso diante das restrições, a sensação é que não foi feito o suficiente para deter a disseminação de estresses e atenuar o ciclo de reações negativas fiscal, bancária e de crescimento", disse o FMI sobre as políticas adotadas até o momento na zona do euro.

No pior cenário simulado pelo Fundo, a instituição constatou que a produção da zona do euro poderia ser reduzida em 5 pontos percentuais se os formuladores de políticas não agirem e se a crise da zona monetária piorar.

Se a crise da zona do euro se intensificar, o FMI estimou que o impacto nos países mais pobres do mundo ficaria entre moderado e severo, e poderia elevar as necessidades deles de financiamento externo para algo como 27 bilhões de dólares até o fim de 2013.

Mas o FMI disse que a zona do euro não é a única preocupação global.

O fundo observou que os Estados Unidos têm de remover a ameaça do chamado "abismo fiscal" em 2012, já que no ano que vem vão expirar reduções de impostos e cortes automáticos nos gastos do governo, no valor de 4 trilhões de dólares, e não há ajustes fiscais suficientes a médio prazo.

A maioria dos analistas acredita que o Congresso só vá tomar decisões sobre essas questões depois das eleições presidenciais e legislativas de novembro.   Continuação...