Defesa de Marcos Valério rejeita mensalão e cita caixa dois

segunda-feira, 6 de agosto de 2012 18:53 BRT
 

BRASÍLIA, 6 Ago (Reuters) - A defesa do publicitário Marcos Valério rejeitou nesta segunda-feira, durante julgamento do processo do chamado mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF), a existência do esquema e disse que os repasses de valores foram, no máximo, caixa dois eleitoral.

O publicitário foi citado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) como o principal operador do suposto esquema de desvio de recursos e repasse a parlamentares em troca de apoio político. Ele é acusado pelos crimes de formação de quadrilha, corrupção ativa, peculato, evasão de divisas e lavagem de dinheiro.

Segundo a denúncia, Marcos Valério integrava o "núcleo publicitário-financeiro" do alegado esquema, e recebia vantagens indevidas do governo federal por meio de contratos de publicidade.

A defesa de Valério alegou falta de indícios que comprovem a existência do esquema e disse que os repasses citados na denúncia teriam constituído caixa dois eleitoral.

"Os recursos foram repassados para fins de ajuda constituindo, no máximo, caixa dois de campanha, jamais tendo havido repasse para parlamentares", disse o advogado Marcelo Leonardo, que usou todo o tempo disponível, de uma hora, para apresentar-se.

A argumentação da defesa buscou desqualificar a denúncia da PGR, rebatendo as acusações contra o publicitário.

Pelo crime de formação de quadrilha, o advogado disse que o vínculo societário não é suficiente para a acusação. Sobre a suspeita de corrupção ativa, defendeu que partido político não é funcionário público e, assim, não pode ser objeto de corrupção.

A defesa também rejeitou a acusação de peculato, dizendo que o dinheiro supostamente desviado teria sido de um fundo particular, não se tratando de recursos públicos.

"Não há provas de recursos públicos desviados nesta ação", disse o advogado. "Não há prova de desvio ou apropriação de recursos públicos."   Continuação...