Estoques de soja da América Latina têm forte queda--Oil World

terça-feira, 7 de agosto de 2012 13:18 BRT
 

HAMBURGO, 7 Ago (Reuters) - Os estoques de soja nos principais produtores sul-americanos caíram em cerca de um terço ante o mesmo período em 2011, após colheitas fracas e um grande volume de exportações, afirmou a consultoria de oleaginosas baseada em Hamburgo, Oil World, nesta terça-feira.

"No começo de agosto, os estoques combinados da Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai caíram para um estimativa de somente 45,5 milhões de toneladas, espantosos 22,5 milhões de toneladas, ou um terço, abaixo do volume do ano anterior", disse a Oil World.

"Esmagadoras de soja estão enfrentando crescentes dificuldades em comprar grãos de soja, considerando que uma grande porção dos estoques fisicamente disponíveis já estão comprometidos."

Os EUA são os maiores exportadores mundiais de grãos de soja, seguido pelo Brasil, em segundo lugar, e então pela Argentina, e pelo Paraguai. A seca diminuiu as colheitas de soja na América do Sul neste ano, enquanto outra seca e onda de calor também ameaça as lavouras norte-americanas.

A Oil World estimou que até 1 de agosto os estoques de soja brasileiros caíram para 20,8 milhões de toneladas, ante 33,15 milhões em 1 de agosto de 2011. A consultoria acredita que os estoques argentinos diminuíram para 22,66 milhões de toneladas, ante 30,62 milhões, e que os paraguaios ficaram em 1,75 milhões de toneladas, ante 3,88 milhões de toneladas no mesmo período do ano anterior.

Ao invés de atender à demanda global de soja, o Brasil pode estar recentemente importando os grãos, acrescentou a Oil World.

"Existiam rumores de que esmagadoras brasileiras estariam importando soja de países vizinhos", disse a consultoria. "Cerca de 0,2 milhão de toneladas teriam sido importadas da Bolívia, mas nós achamos improvável que qualquer quantidade significativa tenha sido importada da Argentina e/ou do Paraguai, onde os estoques dos grãos também estão extraordinariamente apertados".

Exportações de soja do Brasil e da Argentina estavam acima das expectativas em junho e julho, afirmou a Oil World. Mas esses países terão que diminuir os envios nos próximo meses neste ano, em meio a uma diminuição dos suprimentos.

A "previsão de uma grande queda nas exportações da América do Sul está elevando a demanda externa por grãos norte-americanos a níveis que os Estados Unidos não devem conseguir atender, devido à recente deterioração das lavouras do país", acrescentou a Oil World.

Esse é um dos principais motivos pelos quais os preços da soja alcançaram altas históricas em julho, disse a consultoria.

(Reportagem de Michael Hogan)