August 8, 2012 / 12:26 PM / 5 years ago

Alimentos puxam IPCA para 0,43 % em julho

5 Min, DE LEITURA

Consumidora compra leite em supermercado no Rio de Janeiro, em janeiro de 2004. Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,43 por cento em julho, segundo o IBGE, registrando a maior alta mensal desde abril passado. 29/01/2004Bruno Domingos

Por Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO, 8 Ago (Reuters) - O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acelerou em julho para 0,43 por cento, a maior variação mensal desde abril, por conta de problemas climáticos que pressionaram os preços dos alimentos "in natura".

O resultado veio um pouco acima das estimativas do mercado, que esperava uma inflação de 0,38 por cento em julho, ante alta de 0,08 por cento em junho, mas não o suficiente para mudar a avaliação de tendência de queda na taxa básica de juros do país, a Selic, hoje na mínima histórica de 8 por cento ao ano.

No acumulado de 12 meses,o IPCA registrou alta de 5,20 por cento até julho e se distanciou um pouco mais do centro da meta de inflação para o ano, de 4,5 por cento, informou nesta quarta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Analistas ouvidos pela Reuters esperavam avanço de 5,15 por cento nos 12 meses até julho e para a variação mensal, as projeções variaram entre 0,30 e 0,45 por cento.

pressão De Alimentos

De acordo com o IBGE, os principais responsáveis pelo resultado de julho foram os grupos Despesas pessoais e Alimentação e bebidas, que registraram alta mensal de 0,91 por cento no período. Pelo peso que possuem no orçamento das famílias, os alimentos foram responsáveis por 49 por cento do IPCA no mês.

"Temos alta dos (preços dos) produtos 'in natura' por conta da chuva e de temperaturas frias, mas também houve outras causas, como o impacto do dólar", avaliou a economista do IBGE Eulina Nunes dos Santos, em entrevista coletiva, referindo-se à valorização do dólar frente ao real.

"Os alimentos serão importantes para determinar a inflação de agosto, visto que há poucas pressões no horizonte", completou a economista.

Além dos alimentos, o item empregados domésticos, com alta de 1,37 por cento em julho, também pressionou o IPCA, assim como o fim do efeito da redução da alíquota do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) para o setor automotivo. Em junho, carros novos e usados deram uma contribuição no IPCA de -0,26 ponto percentual e, no último mês, de -0,01 ponto.

Os preços do setor de serviços subiram 0,79 por cento, ante avanço de 0,52 por cento em junho. No ano e em 12 meses, o setor registra taxas de 5,21 e 8,75 por cento, respectivamente.

Perda De força

O movimento de alta mais forte nos preços, entretanto, deve começar a perder força já a partir de meados de agosto, na avaliação de especialistas consultados pela Reuters.

"Para o IPCA-15 de agosto, esses preços já devem começar a voltar. Mas a deflação que deveria haver agora em tubérculos vai ficar só para outubro por conta do clima", disse o economista da Votorantim Corretora Bruno Surano, que mantém sua previsão para o IPCA no ano em 5 por cento.

A aceleração do IPCA acompanha uma série de indicadores recentes que vem mostrando aceleração nos preços, e corrobora o resultado do IPCA-15, que subiu 0,33 por cento em julho, ante 0,18 por cento no mês anterior.

O Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M) acelerou para uma alta de 1,21 por cento na primeira prévia de agosto, ante elevação de 0,95 por cento no mesmo período de julho, também puxado por alimentos, de acordo com dados divulgados nesta quarta-feira. 䀀 Mesmo com a recente pressão nos preços, o mercado continua apostando em pelo menos mais um corte da Selic de 0,5 ponto percentual para ajudar na recuperação da ainda cambaleante economia brasileira.

"Esse movimento de aceleração não altera ainda a política monetária, porque esses números mais altos começaram só agora e o resultado de julho do IPCA foi o primeiro mais forte. As autoridades devem esperar agosto ou setembro para reavaliar a situação", disse o economista da Votorantim Corretora, que considera pontual a alta dos preços dos alimentos.

No mercado de juros futuros nesta quarta-feira, os investidores ainda apostam em um corte de 0,50 ponto percentual da Selic neste mês, mas houve uma leve redução nas apostas em um corte adicional de 0,25 ponto em outubro.

"Acredito que essa alta (nos preços dos alimentos) não irá se repetir de maneira forte nos próximos meses. Foi um choque de oferta que não é uma tendência", disse a economista-chefe da corretora Icap, Inês Filipa, que estima Selic a 7,50 por cento no final do ano, mas não descarta queda a 7,25 por cento.

Para o IPCA, a previsão dos analistas que participam da pesquisa Focus do Banco Central é de que o IPCA fechará o ano em 5,00 por cento e em 2013, de 5,50 por cento.

Reportagem adicional de Camila Moreira e Silvio Cascione, em São Paulo, e Diogo Ferreira Gomes no Rio de Janeiro; Edição de Patrícia Duarte e Raquel Stenzel

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