ANÁLISE-Rússia e China são dois mundos diferentes dentro da OMC

quarta-feira, 22 de agosto de 2012 14:15 BRT
 

Por Sujata Rao

LONDRES, 22 Ago (Reuters) - A Rússia entrou para a Organização Mundial do Comércio após 19 anos de espera, mas provavelmente continuará bem longe do milagre em exportações e importações que a China conseguiu depois de entrar para o clube.

A China esperou 15 anos para entrar na OMC em 2001, mas, em uma década, as exportações do país quintuplicaram e a economia chinesa passou de sexta para a segunda maior do mundo.

A economia da Rússia, baseada em commodities, está bem menos preparada para dar esse salto. O país, com fluxos de comércio mais fracos do que há dez anos, terá dificuldades para atrair investimentos numa escala semelhante à que a China conseguiu.

Os russos têm, no entanto, muitos pontos a favor. As tarifas externas custariam atualmente aos exportadores locais de 1,5 bilhão a 2 bilhões de dólares por ano, mas a entrada na OMC garante barreiras de tarifas menores e tratamento igualitário para todos os membros.

Moscou terá que reduzir as próprias barreiras: as tarifas cairão em média 30 por cento, sendo que as incidentes sobre veículos estrangeiros vão se reduzir à metade. Importações mais baratas deixarão consumidores e empresas com mais dinheiro para gastar.

Setores como bancos e telecomunicações vão se abrir para investimento externo, embora partes de alguns mercados pouco competitivos --como a indústria automotiva-- podem entrar em colapso.

Vozes a favor da Rússia na OMC acreditam que o governo passará a ter um senso de urgência para reformas econômicas após o presidente Vladimir Putin ter avalizado a entrada no bloco.

Ed Conroy, gestor de fundos da HSBC Global Asset Management, prevê que a Rússia --assim como acontece com a maioria dos países que acabam de entrar na OMC-- terá crescimento econômico e retomada de investimento se derrubar barreiras protecionaistas e mostrar um firme compromisso com políticas de livre mercado.   Continuação...