Relator diz que Valério intermediou Dirceu e Rural; condena 9

segunda-feira, 10 de setembro de 2012 21:19 BRT
 

Por Hugo Bachega

BRASÍLIA, 10 Set (Reuters) - O relator da ação penal do chamado mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, disse nesta segunda-feira que o publicitário Marcos Valério atuou como intermediário entre o ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu e o Banco Rural, que teria sido usado na lavagem de dinheiro destinado ao suposto esquema, e votou pela condenação de nove réus.

Dirceu é apontado na denúncia do Ministério Público Federal (MPF) como "chefe da quadrilha" responsável pelo suposto esquema. Valério seria o principal operador. Este é o terceiro item a ser analisado pela Corte.

Barbosa iniciou a análise da questão referente à lavagem de dinheiro, que tem dez acusados. São réus o chamado núcleo financeiro, que seria composto por ex-dirigentes do Banco Rural; e o núcleo operacional, com funcionários e ex-sócios das agências de Valério.

Para o relator, o início das irregularidades se deu com "inúmeras fraudes contábeis" em registros das agências DNA e SMP&B para, depois, simular-se os empréstimos no Banco Rural. A instituição teria injetado 32 milhões de reais no suposto esquema, segundo o MPF.

Barbosa citou encontros entre Dirceu e Kátia Rabello, ex-presidente do Banco Rural, dos quais Valério teria atuado como "intermediador". Em depoimento, Kátia teria dito que o publicitário informou a "disponibilidade da agenda" do ex-ministro, que renunciou ao cargo na esteira do escândalo, em 2005.

Dirceu também confirmou o encontro, que teria ocorrido em Belo Horizonte, de acordo com o relator. "Falei sobre o Brasil, sobre o governo, sobre as políticas do governo", disse o ex-ministro, segundo Barbosa.

O Banco Rural teria participado do esquema com interesse na bilionária liquidação do Banco Mercantil de Pernambuco, segundo o MPF. A denúncia afirma que os encontros entre Dirceu e Kátia foram para tratar dos recursos que seriam repassados pelo Rural ao suposto esquema.

O relator citou diversas perícias que consideraram que as fraudes no Banco Rural foram "orquestradas", em "total desacordo" com as normas vigentes, com o intuito de impedir o rastreamento da origem, natureza e destino dos recursos, como afirma o MPF.   Continuação...