11 de Setembro de 2012 / às 14:47 / 5 anos atrás

ENTREVISTA-Distribuição de aço plano vê alta de preços vingar

Por Alberto Alerigi Jr.

SÃO PAULO, 11 Set (Reuters) - Apesar de ter atingido apenas duas categorias de produtos de aços planos, o aumento do imposto de importação determinado pelo governo na semana passada deve servir para criar insegurança entre importadores do metal, ajudando a efetivar altas de preços promovidas por usinas antes da medida, afirmou a entidade que representa o setor distribuidor.

Se antes da elevação do tributo para uma média de 25 por cento havia dúvidas no mercado sobre se o reajuste de 5 a 7 por cento promovido pelas usinas no início do semestre poderia ser implementado, após a medida do governo elas se dissiparam.

"As usinas podem até tentar fazer alguma coisa (novos reajustes), mas não acredito em grandes aumentos. Teve um recente agora e o que isso (alta do imposto de importação) vai ajudar é que o aumento recente de preços das usinas seja efetivado", disse à Reuters o presidente do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda), Carlos Loureiro.

Segundo ele, a medida da semana passada atingiu apenas chapas grossas e bobinas a quente, que tiveram volumes de importação de janeiro a julho menores que produtos laminados a frio e zincados.

Loureiro afirmou que, nos primeiros sete meses do ano, a importação de chapa grossa, usada em grandes obras como construção de navios, somou 134 mil toneladas, das quais cerca de 70 mil estavam sujeitas a imposto de importação.

"Isso dá cerca de 10 mil toneladas por mês de janeiro a julho (...) A Usiminas, que é a única fabricante, entrega cerca de 100 mil, portanto o imposto deve estar atingindo volume equivalente a 10 por cento da entrega", acrescentou.

Enquanto isso, a incidência sobre bobinas a quente, que podem ser usadas na indústria automotiva, deve alcançar 5 por cento da entrega das usinas, segundo cálculos do presidente do Inda. Nos primeiros sete meses foram importadas 131 mil toneladas, das quais cerca de 120 mil sujeitas ao imposto.

"Os dois grandes itens que a importação está forte, que são laminados a frio e zincados, não foram incluídos (...) O volume de material sujeito a este novo imposto é relativamente pequeno", disse Loureiro, afirmando que, de janeiro a julho, as importações de laminados a frio somaram 304 mil toneladas e as de zincados, 340 mil.

Segundo ele, apesar de não ter sido amplo, o aumento das taxas aliado à promessa do governo de anunciar em outubro nova lista com mais 100 produtos que terão imposto de importação elevado gera insegurança entre os importadores, que se veem pressionados a considerar taxação maior na negociação de novas encomendas.

"Para ter certeza, eles têm que contar com 25 por cento de imposto e, com isso, zincados e laminados a frio também são impossíveis de importar, porque podem ficar mais caros que o mercado interno", disse Loureiro.

"Hoje poucos estão fechando importações e o grande problema é o material que está a caminho. Além disso, a partir de janeiro os incentivos de alguns portos perdem efeito e, juntando esses dois casos, provavelmente no ano que vem a importação vai ficar muito difícil", acrescentou.

O cenário atual seria mais favorável para usinas reajustarem seus preços, após vários trimestres de margens de lucro pressionadas por combinação de custos elevados de matérias-primas e insumos, concorrência de importações e fraqueza do setor industrial brasileiro, mas o governo alertou que não vai aceitar aumentos.

Segundo Loureiro, alguns reajustes adicionais podem surgir, mas "não vejo as usinas fazerem uma orgia de aumentos, porque podem perder essa vantagem e elas querem recuperar o mercado perdido para as importações."

Em 2007, a importação tinha de 4 a 5 por cento do mercado brasileiro de aços planos. Esse índice evoluiu mais recentemente para entre 15 e 20 por cento, apoiado no câmbio e no cenário de excesso de capacidade produtiva mundial que força os preços internacionais para baixo.

Loureiro afirmou ainda que o aumento da tarifa de importação não chega a prejudicar o setor de distribuição de aços planos, pois as empresas importavam por vantagem de preços, não por falta de material no mercado interno. "Alguns dos distribuidores que estavam se acostumando com a importação vão ter de se realocar para o mercado interno."

O presidente do Inda disse esperar que as vendas dos distribuidores tenham registrado alta de 10 por cento em agosto ante julho, "principalmente porque o mês tem mais dias úteis". Em julho, as vendas somaram 342 mil toneladas, queda de 1,9 por cento sobre junho e alta de 1,8 por cento sobre julho de 2011.

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