ENTREVISTA-Distribuição de aço plano vê alta de preços vingar

terça-feira, 11 de setembro de 2012 11:43 BRT
 

Por Alberto Alerigi Jr.

SÃO PAULO, 11 Set (Reuters) - Apesar de ter atingido apenas duas categorias de produtos de aços planos, o aumento do imposto de importação determinado pelo governo na semana passada deve servir para criar insegurança entre importadores do metal, ajudando a efetivar altas de preços promovidas por usinas antes da medida, afirmou a entidade que representa o setor distribuidor.

Se antes da elevação do tributo para uma média de 25 por cento havia dúvidas no mercado sobre se o reajuste de 5 a 7 por cento promovido pelas usinas no início do semestre poderia ser implementado, após a medida do governo elas se dissiparam.

"As usinas podem até tentar fazer alguma coisa (novos reajustes), mas não acredito em grandes aumentos. Teve um recente agora e o que isso (alta do imposto de importação) vai ajudar é que o aumento recente de preços das usinas seja efetivado", disse à Reuters o presidente do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda), Carlos Loureiro.

Segundo ele, a medida da semana passada atingiu apenas chapas grossas e bobinas a quente, que tiveram volumes de importação de janeiro a julho menores que produtos laminados a frio e zincados.

Loureiro afirmou que, nos primeiros sete meses do ano, a importação de chapa grossa, usada em grandes obras como construção de navios, somou 134 mil toneladas, das quais cerca de 70 mil estavam sujeitas a imposto de importação.

"Isso dá cerca de 10 mil toneladas por mês de janeiro a julho (...) A Usiminas, que é a única fabricante, entrega cerca de 100 mil, portanto o imposto deve estar atingindo volume equivalente a 10 por cento da entrega", acrescentou.

Enquanto isso, a incidência sobre bobinas a quente, que podem ser usadas na indústria automotiva, deve alcançar 5 por cento da entrega das usinas, segundo cálculos do presidente do Inda. Nos primeiros sete meses foram importadas 131 mil toneladas, das quais cerca de 120 mil sujeitas ao imposto.

"Os dois grandes itens que a importação está forte, que são laminados a frio e zincados, não foram incluídos (...) O volume de material sujeito a este novo imposto é relativamente pequeno", disse Loureiro, afirmando que, de janeiro a julho, as importações de laminados a frio somaram 304 mil toneladas e as de zincados, 340 mil.   Continuação...