Chávez aprovou captura ilegal de chefe das Farc em 2009, diz Uribe

terça-feira, 11 de setembro de 2012 19:58 BRT
 

Por Luis Jaime Acosta

RIONEGRO, Colômbia, 11 Set (Reuters) - Hugo Chávez autorizou secretamente em 2009 a Colômbia a capturar ilegalmente na Venezuela o dirigente guerrilheiro Ivan Márquez, que continua foragido, disse o ex-presidente colombiano Álvaro Uribe.

Em entrevista à Reuters, o político conservador disse que o esquerdista Chávez fez a proposta "sub-repticiamente" durante a Cúpula das Américas de 2009, num momento em que a Venezuela estava pressionada para prender e entregar o comandante das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

A revelação de Uribe, presidente entre 2002 e 2010, ocorre a poucas semanas da retomada do processo de paz entre o governo e as Farc. Uribe criticou o presidente Juan Manuel Santos -seu ex-afilhado político e hoje desafeto- pelas condições estabelecidas para o diálogo.

Chávez, que está no poder desde 1999 e em 7 de outubro disputa nas urnas um novo mandato, teve ao longo dos anos vários atritos com Uribe, que o acusava de proteger a guerrilha esquerdista colombiana -algo que Chávez sempre negou.

"A última coisa que ele me disse, lá por 2009 em Trinidad, foi, de maneira secreta, para que eu tirasse Iván Márquez da Venezuela, como havia tirado (Rodrigo) Granda, o que me deu um frio na espinha, porque causa muito má impressão que um presidente, mesmo que em privado, peça que faça uma armação contra o seu país", disse Uribe na segunda-feira na sua casa de campo, nos arredores de Medellín.

Márquez - cujo nome real é Luciano Marin - pode ser extraditado para os EUA para ser julgado por narcotráfico. As autoridades norte-americanas oferecem uma recompensa de até 5 milhões de dólares por sua captura.

Granda, citado por Uribe na declaração, era outro dirigente das Farc, capturado em 2004 em Caracas numa operação clandestina de policiais colombianos. A operação teve ajuda de agentes venezuelanos, em troca de uma milionária recompensa.

O episódio levou a um rompimento nas relações diplomáticas entre os governos de Chávez e Uribe, que só reataram tempos depois, com mediação do governo cubano. Granda foi solto por Uribe em 2007, numa negociação que levou à libertação da política franco-colombiana Ingrid Betancourt, que passou vários anos como reféns das Farc.   Continuação...