14 de Setembro de 2012 / às 18:48 / em 5 anos

Caso contra Transocean põe em risco produção de petróleo--ANP

RIO DE JANEIRO, 14 Set (Reuters) - A eventual suspensão das atividades da operadora de sondas Transocean no Brasil poderá afetar gravemente a produção de petróleo no país, disse a diretora-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Magda Chambriard, durante evento no Rio de Janeiro nesta sexta-feira.

Segundo Magda, a Transocean opera dez sondas no Brasil atualmente, sendo oito para a Petrobras.

A Justiça determinou que a empresa suspenda as atividades juntamente com a petrolífera Chevron, por conta do processo envolvendo o vazamento de petróleo no campo de Frade, na bacia de Campos, ocorrido em novembro do ano passado.

“Não podemos perder dez sondas da Transocean em um momento de declínio da produção de petróleo como o atual. Na visão da ANP, a empresa não fez nada de errado”, afirmou Magda a jornalistas, após o lançamento da revista “The Oil and Gas Brazil 2012”.

A diretora da ANP explicou que qualquer intervenção em um poço de petróleo é feita por meio de uma sonda, seja para manutenção ou para a perfuração de novos poços.

“Falta de sonda significa menos produção em qualquer país do mundo”, disse ela.

Em entrevista recente, o presidente da Transocean afirmou que a empresa ainda não havia sido notificada sobre a decisão que determina a suspensão das atividades no Brasil.

A partir dessa notificação, a empresa teria um prazo de 30 dias para suspender as atividades.

A diretora da ANP disse ainda que vai recorrer na semana que vem ao Superior Tribunal de Justiça contra a liminar que impede Chevron e Transocean de operarem no país.

Magda afirmou também não acreditar que última instância judicial proibirá as duas companhias de operarem no Brasil.

“No caso da Transocean, o que nós vamos dizer à Corte é que não identificamos problemas na atuação da empresa. No caso da Chevron, é um pouquinho diferente. Mas nós entendemos que estamos aptos a lidar com a situação que encontramos”, disse Magda.

CHEVRON

A executiva disse que a petrolífera Chevron pediu à agência autorização retomar a produção no campo de Frade, mas explicou que a ANP espera uma decisão da Justiça para poder tomar qualquer medida com relação ao caso.

Segundo Magda, se a Justiça autorizar a Chevron a operar no Brasil, a retomada extração será equivalente a menos da metade dos maiores volumes bombeados antes do vazamento.

O campo de Frade chegou a produzir até 78 mil barris por dia de petróleo.

A produção foi suspensa após o segundo vazamento no campo, em março deste ano.

A partir de uma eventual retomada, a queda na produção ocorreria porque a Chevron pediu para voltar a produzir em poços onde não há problema na injeção de água, disse a diretora da ANP.

Frade também pertence à Petrobras, que detém 30 por cento do ativo, assim como ao grupo conhecido como Frade Japão (integrado pelas tradings Sojitz e Inpex), com 18 por cento de participação.

A suspensão da produção de petróleo em Frade e o declínio da produção na bacia de Campos, juntamente com outras paradas de plataformas no país para manutenção, fizeram com que a extração média mensal do país caísse drasticamente em 2012.

“Em maio, a produção média de petróleo no país foi de 2,05 milhões de barris diários, mas em 2011 o volume médio ultrapassou 2,2 milhões (de barris/dia). Ninguém deseja essa queda de produção, nem nós, o país ou a Petrobras”, disse Magda nesta sexta-feira.

Reportagem de Leila Coimbra

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