Não há dúvida sobre esquema de compra de voto, diz relator do mensalão

segunda-feira, 17 de setembro de 2012 21:03 BRT
 

Por Hugo Bachega e Ana Flor

BRASÍLIA, 17 Set (Reuters) - O relator da ação penal do chamado mensalão, ministro Joaquim Barbosa, disse nesta segunda-feira não haver dúvida de que existiu de um esquema de compra de apoio político ao governo na Câmara dos Deputados, ao iniciar o julgamento dos réus políticos do processo.

Barbosa analisou a acusação de compra de apoio de parlamentares do Partido Progressista (PP), legenda que não integrou a coalizão que elegeu o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002.

O item iniciado pelo relator trata de corrupção ativa, passiva e lavagem de dinheiro, com 23 acusados, entre eles o ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu, o ex-presidente do PT José Genoino e o ex-tesoureiro da sigla Delúbio Soares.

Barbosa disse não haver "dúvida" sobre a existência de compra de votos na Câmara, o que afasta a tese da defesa dos réus de que os recursos apontados como integrantes do suposto esquema seriam de caixa dois eleitoral.

"(Não há) qualquer dúvida sobre a existência do esquema de compra de votos nesta altura do julgamento", disse Barbosa, ao citar depoimentos e provas que comprovariam o suposto esquema.

Ainda sobre a tese da defesa de caixa dois, Barbosa afirmou que o destino do dinheiro não muda a existência de crime.

"O que fizeram com o dinheiro que receberam desta forma é irrelevante para a configuração de corrupção passiva", disse.

O PP teria recebido cerca de 3 milhões de reais, que teriam sido oferecidos por Dirceu para que a sigla votasse a favor de matérias de interesse do governo Lula, segundo a denúncia do Ministério Público Federal (MPF).   Continuação...