2 de Outubro de 2012 / às 12:27 / em 5 anos

Indústria sobe 1,5% em agosto, maior avanço em 15 meses

Por Rodrigo Viga Gaier

Funcionários embalam produtos cosméticos em fábrica da Natura em Cajamar, São Paulo. Produção industrial brasileira subiu 1,5 por cento em agosto frente a julho, segundo dados divulgados pelo IBGE . 01/09/2009 REUTERS/Paulo Whitaker

RIO DE JANEIRO, 2 Out (Reuters) - A produção industrial brasileira subiu 1,5 por cento em agosto frente a julho, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira. Trata-se do melhor resultado desde maio de 2011, quando a expansão ficou em 1,6 por cento, apesar de ter vindo abaixo do esperado pelo mercado.

Na comparação com agosto de 2011, a produção diminuiu 2,0 por cento.

“O entendimento é que, em agosto, a indústria engrena e pisa no acelerador. Há uma melhora de ritmo e uma expansão disseminada, algo que não se via há algum tempo”, disse a jornalistas o economista do IBGE André Macedo.

Analistas entendem que os fortes estímulos dados pelo governo explicam os resultados de agora, mas eles ainda veem que a recuperação vai se dar de forma gradual. Além disso, há expectativas de que o Banco Central vai interromper agora o processo de redução da Selic.

“Nós esperamos que o setor industrial mostre uma modesta recuperação nos próximos meses, ajudado pelos estímulos fiscais”, informou a equipe de economistas do Goldman Sachs, por meio de nota, acrescentando que a atividade deve continuar mostrando resultados piores do que outras, particularmente a de serviços.

De acordo com pesquisa da Reuters junto a 19 analistas, a expectativa era de que a produção industrial subiria 2,0 por cento em agosto ante julho. As estimativas variaram de 1,50 a 3,40 por cento. Na comparação anual, a expectativa era de queda de 1,5 por cento.

O IBGE, por outro lado, melhorou o resultado de julho, passando de uma alta de 0,3 por cento sobre junho, para 0,50 por cento agora.

A indústria brasileira tem sido o calcanhar de Aquiles para o crescimento econômico neste ano que, segundo avaliações do governo e do mercado, vai ser retomado neste segundo semestre, após ter sofrido com a crise internacional.

AUTOS EM DESTAQUE

Em agosto, 20 das 27 atividades pesquisadas apresentaram crescimento, segundo o IBGE, mostrando que o movimento foi mais generalizado. O setor automotivo, que recebeu fortes incentivos fiscais do governo nos últimos meses, novamente foi o destaque, com alta de 3,3 por cento sobre julho. Nos últimos três meses, a expansão neste setor acumula 9,3 por cento.

“Podemos dizer claramente que muito da recuperação da indústria nos últimos 3 meses se deve aos incentivos dados pelo governo com a redução de IPI”, frisou Macedo, do IBGE, referindo-se às quedas nas alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para alguns segmentos.

Em setembro, no entanto, as vendas de automóveis recuaram 31,4 por cento sobre agosto, informou a associação de concessionários, Fenabrave, na segunda-feira, mostrando que o setor pode estar perdendo fôlego.

O ganho acumulado da indústria brasileira nos últimos 3 meses foi de 2,3 por cento, sendo que no segmento de bens duráveis --que reúne produção de carros, linha branca e mobiliário, atividades que receberam incentivos fiscais-- foi de 9,4 por cento.

Segundo o IBGE, também mostraram crescimento importante em agosto o setor de alimentos (2,1 por cento), fumo (35 por cento), material eletrônico, aparelhos e equipamentos de comunicações (5,9 por cento), entre outros.

CONTRAÇÕES

Na ponta oposta, o setor de máquinas e equipamentos mostrou contração de 2,6 por cento em agosto, eliminando parte da expansão de 5,0 por cento acumulada entre março e julho.

A produção de bens de capital, apesar de ter crescido 0,3 por cento sobre julho, apresentou queda de 13 por cento na comparação com um ano antes, segundo o IBGE, mostrando ainda falta de tração na atividade voltada a investimentos.

“Essa queda de bens de capital serve de alerta. Diminui a qualidade da recuperação desse segmento na margem”, afirmou Macedo.

Na semana passada, o Índice de Confiança da Indústria (ICI), da Fundação Getúlio Vargas apontou uma retomada da atividade industrial nos próximos meses, ao avançar 0,9 por cento em setembro em relação a agosto.

A divulgação do IBGE é a segunda nesta semana que aponta uma tendência de melhora no setor industrial brasileiro.

A pesquisa Índice de Gerentes de Compras de Produção Industrial (PMI), divulgada na segunda-feira, mostrou que a produção do setor registrou em setembro o primeiro aumento após cinco meses de queda, desacelerando o ritmo de contração.

O bom desempenho de agosto, para o estrategista-chefe do WestLB, Luciano Rostagno, deve fazer o BC manter a Selic na atual mínima histórica de 7,50 por cento na próxima semana, quando o Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne novamente. Ele lembra que o ciclo de inflação baixa chegou ao fim e que os índices de preços mostram elevação por causa das commodities.

“Está em curso uma recuperação e a inflação se mantém persistentemente acima da meta (de 4,5 por cento pelo IPCA, com margem de 2 pontos). Seria mais prudente o BC manter os juros pelo máximo tempo possível”, comentou ele.

No mercado futuro de juros, no entanto, o dado ampliou um pouco as apostas em um corte da Selic na próxima reunião.

Desde agosto de 2011, o BC já reduziu a Selic em 5 pontos percentuais, num movimento para ajudar na recuperação da atividade econômica.

Para o professor da economia da Unicamp e ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Júlio Gomes de Almeida, o desempenho da produção industrial em agosto é representativo e indica a retomada da atividade.

Segundo ele, está havendo recomposição de estoques, mas ainda projeta que a produção industrial recuará 2 por cento neste ano por causa dos resultados do primeiro semestre.

Reportagem adicional de Diogo Ferreira Gomes no Rio de Janeiro e Luciana Otoni em Brasília

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below