Nobel vai para experimento de estar ao mesmo tempo em dois lugares

terça-feira, 9 de outubro de 2012 14:42 BRT
 

Por Sharon Begley e Chris Wickham

NOVA YORK/LONDRES, 9 Out (Reuters) - O físico norte-americano David Wineland e o francês Serge Haroche dividiram o Prêmio Nobel de Física em 2012 por fazer o que Wineland já descreveu como "truque científico".

O que eles fizeram foi aplicar uma das teorias mais bem-sucedidas da física --a mecânica quântica, que por um século governa o micromundo no qual até mesmo um átomo parece grande-- a objetos do laboratório.

Físico do Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia, que integra o Departamento de Comércio dos Estados Unidos, Wineland foi elogiado por apreender átomos eletricamente carregados, ou íons, e controlá-los e medi-los com partículas da luz, ou fótons. Haroche, do College de France, fez um trabalho similar.

No mundo quântico descoberto por Niels Bohr, Erwin Schroedinger e outros gigantes da física do começo do século 20, objetos minúsculos como os elétrons podem estar em dois lugares ao mesmo tempo. Eles também podem se comportar como uma partícula em um momento e no seguinte como uma onda, dependendo de como um observador tenta medi-los.

Em outras palavras, o simples ato da observação determina a forma que eles tomam e mesmo o que é a realidade. Isso, é claro, não descreve o macromundo dos objetos maiores que as pessoas vivenciam no dia a dia. Uma chave para os feitos de Wineland e de Haroche foi fazer a "esquisitice quântica" mostrar o seu rosto no mundo macro.

Wineland descreveu seu experimento como "uma nano-versão de uma bolinha de gude rolando para frente e para trás em uma tigela e estando do lado direito e do esquerdo simultaneamente".

Em um experimento seminal, ele e sua equipe atingiram átomos --que são enormes para os padrões quânticos-- com uma luz de laser. Depois de algum tempo, o átomo absorvia um fóton, ou uma partícula de luz, e se mexia. Se os cientistas desligassem a luz antes, o átomo permanecia onde estava.

Se eles emitissem o feixe pela quantidade certa de tempo, o átomo teria uma chance de 50 por cento de se mexer. Na mecânica quântica, essa chance de 50 por cento é chamada de "superposição" e é mais conhecida pelo exemplo extravagante do gato imaginário, cunhado pelo físico austríaco Schroedinger.   Continuação...