11 de Outubro de 2012 / às 12:52 / em 5 anos

Vendas do varejo no Brasil sobem 0,2% em agosto--IBGE

Por Rodrigo Viga Gaier

Cliente olha brinquedos em loja da Ri Happy, em São Paulo. As vendas no varejo brasileiro tiveram alta de 0,2 por cento em agosto ante julho e registraram elevação de 10,1 por cento em relação a igual mês de 2011, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 02/03/2012 REUTERS/Nacho Doce

RIO DE JANEIRO, 11 Out (Reuters) - As vendas no varejo brasileiro subiram 0,2 por cento em agosto ante julho, o terceiro mês seguido positivo e acima do esperado, mas mostrando desaceleração por conta do segmento de supermercados. Mesmo assim, a avaliação dos especialistas é de que o setor continuará aquecido.

“Houve uma desaceleração da taxa, mas não se trata de uma reversão de tendência ou uma inflexão da curva de crescimento. Parece ser um movimento pontual”, disse à Reuters o economista do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) Reinaldo Pereira.

Em junho e em julho passados, as vendas haviam crescido 1,6 e 1,4 por cento, respectivamente. Em agosto, sobre um ano antes, segundo informou o IBGE nesta quinta-feira, as vendas cresceram 10,1 por cento.

Analistas ouvidos pela Reuters previam que haveria queda de 0,1 por cento em agosto ante julho e, em relação ao mesmo mês do ano anterior, a expectativa era de alta de 9,1 por cento.

Segundo o IBGE, boa parte das atividades mostrou desempenho mais fraco, apesar de ainda positivo, em agosto. O segmento de equipamentos e material para escritório e informática registrou alta de 5,3 por cento sobre julho, a maior entre os segmentos que compõem o comércio varejista, mas mostrou forte desaceleração ao ser comparado com o mês anterior, quando a expansão foi de 10,8 por cento.

Na outra ponta, a atividade de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo encolheu 1,1 por cento em agosto, ante julho, depois de ter crescido 0,9 por cento no mês anterior.

“Os preços dos alimentos vêm subindo no segundo semestre... O ritmo menor (de vendas) me parece ter a ver com isso. Se não fosse a queda dos alimentos, o resultado do comércio seria maior”, afirmou Pereira.

Quando se olha o comércio varejista ampliado --incluindo o setor automotivo e material de construção--, as performances foram melhores. O primeiro segmento cresceu 7,7 por cento na comparação mensal, enquanto que o segundo, 3,4 por cento.

O economista do IBGE lembrou que os incentivos dados pelo governo para as atividades ajudaram no desempenho de agosto, ainda mais que houve uma corrida para a compra de carros porque, até então, o governo não havia informado se estenderia a redução das alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como acabou fazendo no final do mês.

O segmento de automóveis respondeu por 58 por cento da taxa de crescimento do varejo ampliado, de 15,7 por cento, ante agosto do ano passado.

O setor varejista vem se mostrando como um dos principais motores da economia brasileira sustentado por um mercado de trabalho estável, com a taxa de desemprego em queda, e deve continuar forte.

Para o economista-chefe da SulAmérica Investimento, Newton Rosa, a alta nas vendas do comércio em agosto, mesmo desacelerando em relação aos dois meses anteriores, é um indicador de que o consumo se manterá aquecido, como “um esteio do crescimento” neste fim de ano e em 2013.

“Não é trivial que em uma economia com baixo crescimento as vendas no varejo registrem crescimento acumulado no ano de 9 por cento”, afirmou ele, acrescentando que a queda nos juros também é mais um fator de estímulo ao consumo.

Na noite de quarta-feira, o Banco Central reduziu a Selic a 7,25 por cento ao ano, renovando a mínima histórica. Foi o décimo corte seguido desde agosto de 2011.

O IBGE revisou ainda os dados das venda de julho sobre julho de 2011 , passando de alta de 7,1 por cento para 7,2 por cento.

Reportagem adicional de Diogo Ferreira Gomes, no Rio de Janeiro, e Luciana Otoni, em Brasília; Texto de Camila Moreira

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