CENÁRIOS-Brasil reforça proteção, mas cobra avanço do setor automotivo

quinta-feira, 18 de outubro de 2012 19:09 BRT
 

Por Alberto Alerigi Jr.

SÃO PAULO, 18 Out (Reuters) - A indústria brasileira de veículos vai contar a partir do próximo ano com um ambiente interno mais protegido contra importações, e o preço cobrado pelo governo por isso deverá vir na forma de vultosos investimentos que levarão os carros nacionais a patamares mais próximos da tecnologia usada nos Estados Unidos e na Europa.

As regras do novo regime automotivo de 2013 e 2017 devem estimular a indústria local de autopeças e acabar incentivando a compra de insumos como aços especiais mais leves, que passarão a ter demanda maior diante das exigências para redução de consumo de combustível em ao menos 13,6 por cento até 2017, afirmaram analistas e especialistas da indústria.

A associação de montadoras Anfavea calcula que apenas os aportes em pesquisa, desenvolvimento e engenharia exigidos pelas novas regras serão da ordem de 13,8 bilhões de reais, além dos investimentos de 44 bilhões de reais previstos anteriormente pelo setor para até 2015.

Por enquanto, a cobrança de um maior nível de produção local não causou nenhuma baixa importante no mercado nacional, tomando como base o salão internacional do automóvel de São Paulo, que acontece na próxima semana.

O evento terá pela primeira vez presença de líderes globais da indústria como os presidentes-executivos da General Motors, Dan Akerson, e da Volkswagen, Martin Winterkorn.

Além disso, o salão contará com participação recorde de 49 marcas de 38 montadoras que exibirão 500 veículos de olho em um mercado que pode passar de vendas de 3,8 milhões de veículos em 2012 para 6 milhões em 2020, segundo estimativas da indústria.

"O regime automotivo visa trazer produção de verdade para o Brasil, fabricação, não montagem apenas. Empresas que provavelmente pensavam em ter por aqui apenas uma montadora de peças prontas produzidas lá fora vão ter que pensar num investimento mais abrangente", disse o analista do setor automotivo Marcelo Cioffi, da PricewaterhouseCoopers.

Ele citou como exemplo uma típica fábrica completa com capacidade para 250 mil veículos por ano e que exige investimentos de pelo menos 1 bilhão de reais, enquanto uma unidade de montagem de peças (CKD) exige metade do valor.   Continuação...

 
Funcionários trabalham em linha de montagem em fábrica da Renault em São José dos Pinhais. 2/08/2012 REUTERS/Rodolfo Buhrer