CENÁRIOS-Grupo Rede atesta interesse de elétricas em distribuição

quarta-feira, 24 de outubro de 2012 18:08 BRST
 

Por Anna Flávia Rochas

SÃO PAULO, 24 Out (Reuters) - Apesar da crítica situação financeira, o Grupo Rede Energia atraiu os olhares de empresas interessadas em crescer em distribuição de energia, num momento em que existem poucas oportunidades de expansão via aquisições nesse segmento.

O aumento da atuação no setor de distribuição é visto como necessário para ganhar escala, diante de um maior aperto nos retornos sobre o investimento com as regras do terceiro ciclo de revisão tarifária, aprovadas no fim de 2011. E ativos não tão caros--como os do Grupo Rede, que tem dívidas estimadas em 5,7 bilhões de reais-- nem sempre estão disponíveis.

"As oportunidades que existem são em casos como esse... Não se consegue fazer um plano de aumento da atuação em distribuição a menos que se pague muito caro", disse o diretor da consultoria Excelência Energética, Erik Rego.

Ativos de qualidade e valor elevado que foram colocados à venda, como por exemplo a distribuidora Elektro, estiveram no radar de grupos como CPFL Energia, Cemig e Neoenergia. A Elektro, que pertencia à norte-americana Ashmore Energy Internacional, acabou sendo comprada pela espanhola Iberdrola por 2,4 bilhões de euros no começo de 2011.

No caso das distribuidoras do Grupo Rede, por mais que estejam endividadas, assumi-las por um valor simbólico e tentar renegociar dívidas com credores pode ser uma boa oportunidade de crescer em distribuição e obter ganhos com a reestruturação dos negócios e melhoria da gestão.

A estratégia de interesse em distribuidoras "problemáticas" é claramente assumida pela Equatorial Energia, que adquiriu a Cemar (MA) em 2004 e a transformou-a em uma das melhores distribuidoras do país em qualidade de serviço.

Recentemente, a Equatorial formalizou a compra da Celpa (PA), controlada do Grupo Rede em recuperação judicial, por 1 real --e é parceira da CPFL na avaliação de compra dos outros ativos do Grupo Rede.

Apesar das perdas de receita com o terceiro ciclo de revisão tarifária e a insegurança do mercado sobre a intervenção do governo em empresas de distribuição, regulamentada com a medida provisória 577, o segmento de distribuição de energia continua sendo interessante, segundo analistas.   Continuação...