Inadimplência no Brasil não cede e crédito desacelera--BC

sexta-feira, 26 de outubro de 2012 14:46 BRST
 

Por Tiago Pariz

BRASÍLIA, 26 Out (Reuters) - A cautela dos bancos na concessão de crédito e os patamares altos de endividamento das famílias estão segurando o crescimento do mercado de crédito brasileiro, em meio à inadimplência ainda elevada.

O Banco Central mostrou nesta sexta-feira que a taxa de atrasos nos pagamentos acima de 90 dias permaneceu no elevado patamar de 5,9 por cento no mês passado, pelo terceiro mês consecutivo. Para pessoas físicas, ela continuou em 7,9 por cento e, para empresas, apresentou leve recuo de 0,1 ponto sobre agosto, para 4 por cento.

"Os bancos estão mais cautelosos por conta da inadimplência. As famílias estão mais endividadas e está cada vez mais difícil pegar financiamento com prazos mais longos", afirmou o economista da LCA Wermeson França.

O principal vilão tem sido o crédito automotivo, que acumula os maiores calotes. No mês passado, a taxa desse segmento subiu 0,1 ponto percentual, para 6 por cento, próximo do recorde histórico de 6,1 por cento atingido em maio deste ano.

O chefe do departamento Econômico do BC, Tulio Maciel, admitiu que a inadimplência tem surpreendido, mas voltou a defender que ela vai ceder até o final do ano. "Tínhamos a expectativa que ela iria cair agora em setembro. Pode ser que a greve tenha influenciado isso", afirmou ele, referindo-se à paralização dos bancários no mês passado.

Diante do cenário ainda de calotes elevados, as taxas médias de juros para pessoas físicas voltaram a subir depois de seis meses consecutivos de queda, passando de 35,6 para 35,8 por cento ao ano em setembro. Em outubro, o movimento continua: até o dia 17, ainda segundo o BC, ela já estava em 36,5 por cento.

No geral, os juros médios subiam para 30,1 por cento em outubro, também até o dia 17, apesar de terem recuado 0,2 ponto percentual, para a mínima histórica de 29,9 por cento em setembro, sobre o mês anterior.

Para França, da LCA, os juros tendem a se estabilizar nestes patamares porque já houve quedas expressivas antes, além de as concessões não estarem sendo mais expressivas. Segundo o BC, as taxas médias recuaram, entre março e setembro, 8,2 pontos percentuais.   Continuação...