29 de Outubro de 2012 / às 11:00 / 5 anos atrás

Diante de incertezas, mercado vê Selic menor em 2013, a 7,75%

Por Camila Moreira

SÃO PAULO, 29 Out (Reuters) - Diante das incertezas sobre a recuperação da atividade econômica e o comportamento da inflação, o mercado ajustou suas projeções sobre os próximo passos do Banco Central na condução da política monetária ao longo de 2013 e agora prevê que a Selic encerrará o próximo ano num patamar menor, a 7,75 por cento.

O movimento, que pode ser o início de um ajuste maior, foi mostrado na pesquisa semanal Focus do BC divulgada nesta segunda-feira. Nos três levantamentos anteriores, as projeções eram de que a taxa básica de juros ficariam em 8 por cento no período.

De acordo com o Focus, os analistas estimam que Selic, atualmente na mínima histórica de 7,25 por cento, será elevada em 0,25 ponto percentual somente em outubro de 2013 e chegando a 7,75 por cento em novembro.

Entre os Top 5 --grupo das instituições que mais acertam suas análises no Focus--, por outro lado, a perspectiva para a Selic em 2013 é de que permaneça nos atuais 7,25 por cento, posição mantida há três semanas.

Para 2012, também não mudou a aposta no Focus de que a taxa básica de juros permanecerá em 7,25 por cento, diante da indicação do BC de que o ciclo de cortes foi encerrado após a redução de 0,25 ponto percentual feita na Selic neste mês.

Analistas consideram que correm lado a lado os fatores macroeconômicos e a vontade política do governo de manter a Selic em patamares baixos.

"Isso tem a ver com os sinais de que a atividade econômica está demorando para ganhar tração, então o BC manteria os juros nos níveis atuais por mais tempo", avaliou o economista da Votorantim Corretora Alexandre Andrade.

Segundo ele, aumenta o ceticismo entre analistas sobre a recuperação econômica, inclusive com a expectativa de que a produção industrial deve cair em setembro em relação a agosto --depois de subir 1,5 por cento no período anterior--, pressionada pela indústria automotiva.

Em setembro, a produção de veículos novos no Brasil caiu 14,2 por cento contra agosto. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística divulga na quinta-feira os dados da produção industrial de setembro.

A indústria tem sido uma das principais causas para a fraca atividade neste ano, impactada pela crise internacional. Os analistas consultados na pesquisa do BC indicam, pela mediana, que a produção industrial vai registrar contração de 2,10 por cento neste ano, pior do que a queda de 2,06 por cento no levantamento anterior.

Para 2013, o Focus também mostrou piora no cenário desse setor, com expansão projetada de 4,15 por cento, ante 4,20 por cento esperados antes.

Não por menos, o Focus mostrou que o mercado vê que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano deve atingir apenas 1,54 por cento, inalterado sobre a semana anterior. Para 2013, a perspectiva também permaneceu em 4,00 por cento.

O governo tem defendido que a economia já começou a se recuperar após um início de ano fraco, e fala em crescimento de 4 por cento em termos anualizados tanto no segundo semestre como ao longo de 2013.

INFLAÇÃO

O cenário sobre a inflação é preocupante para a política monetária do ano que vem, destacou o economista sênior do BES Investimentos, Flávio Serrano.

"Vemos a inflação se perpetuando bem acima de 5 por cento e por isso achamos que a Selic deveria subir. Mas em contrapartida o BC diz que está confortável (com o nível de inflação)", disse ele.

Serrano argumentou que o controle da inflação vem acontecendo devido às medidas administrativas do governo, como a manutenção dos preços da gasolina e ações para reduzir as tarifas de energia em 2013.

Os analistas consultados na pesquisa do BC elevaram pela 16a vez a perspectiva para a inflação neste ano, projetando o IPCA agora em 5,45 por cento, ante 5,44 por cento na semana anterior.

Para 2013, por outro lado, a pesquisa mostrou que o mercado prevê agora o IPCA a 5,40 por cento, contra 5,42 por cento anteriormente. Em ambos os casos, ainda longe do centro da meta do governo, de 4,5 por cento.

Os alimentos continuam sendo os principais vilões da inflação, mas analistas já falam em uma perda de força desse movimento nos próximos meses.

Na semana passada, o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) desacelerou para uma alta de 0,57 cento na terceira quadrissemana de outubro, com um leve alívio nos preços do grupo Alimentação.

A pesquisa Focus desta segunda-feira mostrou também que o mercado manteve a previsão de que o dólar encerrará este ano a 2,01 reais.

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