ENTREVISTA-Setor de trigo do Brasil terá aperto e custo alto em 2013

terça-feira, 27 de novembro de 2012 19:26 BRST
 

Por Roberto Samora

SÃO PAULO, 23 Nov (Reuters) - A indústria de trigo do Brasil, uma das principais importadoras globais da commodity, enfrentará no próximo ano uma escassez na oferta no Mercosul, que a obrigará a buscar o cereal no hemisfério norte em grandes volumes, e também verá custos crescentes que deverão chegar aos bolsos dos consumidores.

Além da quebra de safra e da qualidade menor da produção do Brasil, parceiros comerciais como a Argentina, que fornece cerca de 80 por cento do que o país compra, também sofreram problemas em suas colheitas, disse à Reuters Lawrence Pih, um dos principais empresários do setor e integrante do conselho da associação da indústria brasileira (Abitrigo).

Não bastasse a quebra de safra no Mercosul, os moinhos ainda terão custos maiores de importações em função do dólar mais forte frente ao real. A moeda norte-americana oscilou recentemente perto do maior patamar em mais de três anos.

Somando-se à questão cambial, há outro fator desfavorável em vista: muitas importações no próximo ano serão feitas de países fora do Mercosul, e os moinhos com isso terão que arcar com tarifas que não pagam ao importar dos vizinhos, uma vez que dentro do bloco comercial sul-americano há isenção.

"Estou vendo um cenário bastante difícil para os moinhos. Estou no ramo há 47 anos, e esse é um dos anos mais difíceis em termos de suprimento de matéria-prima", afirmou nesta terça-feira Pih, presidente do Moinho Pacífico, um dos maiores grupos do país.

O Brasil está terminando de colher uma safra estimada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em 4,4 milhões de toneladas, ante 5,7 milhões de toneladas na anterior.

Com uma produção menor, a estatal estima uma importação na temporada 2012/13 (agosto/julho) em 7 milhões de toneladas, alta de 1 milhão de toneladas ante a safra anterior, e um dos maiores volumes desde a temporada 2006/07, quando as compras externas bateram em 7,8 milhões de toneladas.

O problema é que pelo menos 1 milhão de toneladas virão de fora do Mercosul, com uma tarifa de importação de 10 por cento incidente sobre o trigo e o frete, além de taxa de Marinha Mercante.   Continuação...