Jordanianos votam em eleição boicotada por Irmandade Muçulmana

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013 14:03 BRST
 

Por Suleiman Al-Khalidi

AMÃ, 23 Jan (Reuters) - Jordanianos votaram nesta quarta-feira em suas primeiras eleições parlamentares desde as revoltas da Primavera Árabe, mas um boicote pelo principal partido islâmico vai garantir que não haja repetição de uma revolução ao estilo egípcio através das urnas.

A popular Irmandade Muçulmana abandonou a votação alegando que o sistema eleitoral havia sido manipulado a favor de áreas rurais tribais, onde forças conservadoras e pró-governo estão entrincheiradas, e contra grandes áreas urbanas povoadas, onde o partido é mais forte.

Dezenas de pessoas fizeram fila do lado de fora dos postos de votação em várias cidades da Jordânia antes da abertura das urnas em todo o reino às 2h (horário de Brasília), segundo testemunhas.

A Jordânia, uma monarquia apoiada pelos EUA que faz fronteira com Israel, tem visto grandes protestos contra a corrupção e criticando o rei Abdullah, embora não tenham sido na mesma escala como os que derrubaram os governantes do Egito e da Tunísia e levou a guerras civis na Líbia e Síria.

O governo prometeu eleições livres e justas e previu um bom comparecimento, apesar do boicote.

"Não há duas pessoas na Jordânia que estão sussurrando que o governo vai interferir nas eleições", o primeiro-ministro Abdullah Ensour disse à Reuters esta semana.

A Irmandade Muçulmana é o partido mais popular na Jordânia - com forte apoio nas cidades, especialmente entre os mais pobres palestinos que vivem lá.

Seu boicote reduziu a eleição a uma disputa entre líderes tribais, figuras já estabelecidas no país e empresários, com apenas alguns dos 1.500 candidatos a partidos reconhecidos. As denúncias de compra de votos são abundantes.   Continuação...