14 de Fevereiro de 2013 / às 16:53 / 5 anos atrás

Berkshire Hathaway e 3G Capital comprarão Heinz por US$28 bi

Loja de conveniência dispõe produtos Heinz em Golden, Colorado, EUA. A Berkshire Hathaway, grupo do bilionário Warren Buffett, e a 3G Capital, dos brasileiros Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira, anunciaram nesta quinta-feira a compra da H.J. Heinz, em uma operação que prevê pagamento de 23,2 bilhões de dólares em dinheiro. 28/02/2006Rick Wilking

Por Ben Berkowitz e Martinne Geller

14 Fev (Reuters) - A Berkshire Hathaway, grupo do bilionário Warren Buffett, e a 3G Capital, dos brasileiros Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira, anunciaram nesta quinta-feira a compra da H.J. Heinz, em uma operação que prevê pagamento de 23,2 bilhões de dólares em dinheiro

Incluindo dívida, o negócio, que combina as ambições dos fundadores da 3G na indústria de alimentos com a busca de Buffett por crescimento, foi avaliado pela Heinz como sendo o maior na história no setor, valendo 28 bilhões de dólares.

Berkshire e 3G pagarão 72,5 dólares por ação, um prêmio de 19 por cento sobre o maior patamar histórico do papel da companhia mais famosa por sua marca de ketchup.

Para Buffett, o negócio representa uma incomum parceria com um grupo de private equity para uma grande aquisição, considerando que historicamente suas compras foram feitas por conta própria. Ele disse à CNBC que Lemann o procurou em dezembro com a ideia de compra da Heinz e acrescentou que este é "o meu tipo de negócio".

O bilionário já estava na busca por uma grande compra no valor de 20 bilhões de dólares ou mais e afirmou nesta quinta-feira que sua parte na operação será de 12 bilhões a 13 bilhões de dólares, entre ações ordinárias e preferenciais.

A última vez que Buffett fez um negócio similar foi em 2008, quando a Berkshire ajudou a financiar a compra da Wrigley pela Mars por 23 bilhões de dólares.

No Brasil, a Heinz é dona da marca Quero Alimentos. A companhia norte-americana comprou 80 por cento da fabricante brasileira por cerca de 1 bilhão de reais há cerca de 2 anos.

As ações da Heinz chegaram a disparar 20 por cento, para 72,59 dólares, acima do preço oferecido após o anúncio da operação.

O papel da empresa tem subido nos últimos tempos, quase dobrando nos últimos quatro anos, mas analistas disseram que o preço oferecido pareceu justo.

Eles também disseram que o acordo pode ser o primeiro passo em uma onda mais ampla de fusões e aquisições no setor de alimentos e bebidas.

"Talvez para o grupo de consumo básico em geral isso possa começar com algumas conversas sobre consolidação. Mesmo entidades corporativas estão com caixa, as taxas de juros estão baixas, talvez faça sentido", disse Jack Russo, analista da Edward Jones.

Ações de companhias como General Mills e Campbell Soup, que já foram vistas como potenciais parceiras de fusão com a Heinz, subiram após a notícia.

O Lazard serviu como principal assessor financeiro. J.P. Morgan e Wells Fargo foram assessores do consórcio investidor.

CRESCIMENTO

A Heinz conhecida por suas icônicas garrafas de ketchup assim como outras marcas, como as batatas congeladas Ore-Ida, também fabrica alimentos para bebês e elevou suas vendas líquidas nos últimos oito anos fiscais seguidos.

Qualquer aquisição pode ajudar a Heinz a diversificar e ampliar seu perfil internacional. A empresa já domina o negócio de ketchup, com uma fatia de mercado de quase 26 por cento do mercado global e 59 por cento nos EUA, segundo a Euromonitor International.

A companhia informou que o acordo será financiado com recursos da Berkshire e da 3G, além de rolagem de dívida e financiamento dos bancos JP Morgan e do Wells Fargo.

Após o anúncio da operação, a 3G Capital afirmou que ainda é cedo para dizer se haverá cortes de custos na Heinz e o presidente da companhia, Bill Johnson, disse que não teve discussões com os compradores sobre cortes de empregos.

Buffett disse à CNBC que a Berkshire e a 3G serão parceiras com fatias iguais. A operação da Heinz será tocada pelo grupo dos investidores brasileiros.

3G EXPANDE NEGÓCIOS

Para a 3G Capital, a aquisição da Heinz é um complemento natural para seu investimento na rede de lanchonetes Burger King, comprada no fim de 2010 e na qual ainda detém uma fatia majoritária.

Telles e Sicupira são membros do conselho de administração da rede de fast food e junto com Lemann fazem parte do conselho da maior cervejaria do mundo, a Anheuser-Busch InBev.

Historicamente a 3G era mais uma investidora do que uma compradora, com participações na Delphi Automotive, Newell Rubbermaid e Anadarko Petroleum.

Lemann fez fortuna no setor financeiro e ganhou notoriedade por ajudar formatar os acordos que criaram a cervejaria gigante AB InBev.

No ranking da Forbes, ele é mencionado como o 69o homem mais rico do mundo, com uma fortuna de 12 bilhões de dólares.

Alex Behring, da 3G, administra o fundo em Nova York. Ele apareceu uma coletiva de imprensa em Pittsburgh com a administração da Heinz para discutir o acordo e reassegurar que a empresa continuará na cidade.

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