Católicos africanos e asiáticos veem papa Francisco como força de renovação

quinta-feira, 14 de março de 2013 15:11 BRT
 

Por Marina Lopes e Manuel Mogato

MAPUTO/MANILA, 14 Mar (Reuters) - Católicos na África e na Ásia saudaram nesta quinta-feira a eleição do papa Francisco, da Argentina, como um avanço histórico que irá movimentar a energia vital do mundo em desenvolvimento em uma Igreja em dificuldades e amplificar a voz dos pobres do planeta.

Embora tenha havido decepção de que o sucessor do papa Bento 16 não veio dos continentes africano ou asiático, as origens no Terceiro Mundo do cardeal Jorge Bergoglio estimularam esperanças de um espírito irmão entre os católicos de Manila a Maputo.

A Argentina está tão longe da África e da Ásia quanto a Europa, a principal fonte de pontífices anteriores. Mas esses continentes em rápido desenvolvimento, onde a pobreza ainda paira, abrigam as comunidades católicas de mais rápido crescimento do mundo.

Católicos africanos e asiáticos rapidamente se identificaram com o nome escolhido do novo papa, em homenagem a São Francisco de Assis, o santo do século 12 que rejeitou a riqueza para levar uma vida de pobreza, como um sinal de uma nova direção na Igreja global.

"Este será o papa dos pobres, uma vez que ele também vem dos confins da Terra", disse Celso Dias, 39 anos, funcionário de um escritório de advocacia, ao parar para rezar na Catedral de Santo Antônio da Polana na capital moçambicana, Maputo.

Nos arredores de Lagos, na Nigéria, o padre Raymond Anoliefo, que dirige uma paróquia em Ibeju, disse que estava animado ao ouvir que Bergoglio havia criticado o governo argentino por não fazer o suficiente para combater a pobreza.

"Os problemas que ele tem em seu país são os mesmos que os nossos: a corrupção, a pobreza", comentou ele. "É animador ter alguém do mundo em desenvolvimento. Este é o ‘nosso papa'."

Nas Filipinas, onde mais de 80 por cento da população é católica, os líderes da Igreja viram a escolha do primeiro pontífice não-europeu em cerca de 1.300 anos como um justo reconhecimento de que o rosto do catolicismo mundial estava mudando.   Continuação...