Brasil não vai intervir para que empresas fiquem na Argentina--fontes

sexta-feira, 22 de março de 2013 17:59 BRT
 

Por Ana Flor

BRASÍLIA, 22 Mar (Reuters) - O governo brasileiro não vai mais intervir para que empresas brasileiras fiquem na Argentina, num momento em que algumas delas relatam um ambiente de negócios complicado para investimentos no país vizinho, disseram à Reuters duas altas autoridades do Brasil.

A posição rompe uma tradição reforçada durante o governo Lula, segundo uma das fontes, quando o Brasil estimulou a ida de empresas para a Argentina, como forma de reforçar o Mercosul e os vínculos com o vizinho.

O principal sinal da inflexão na posição do governo brasileiro, segundo uma das fontes, ocorreu neste mês, quando a Vale anunciou que estava suspendendo um projeto de exploração de potássio na Argentina, orçado em cerca de 6 bilhões de dólares.

A intenção da mineradora já era conhecida pelo governo brasileiro há pelo menos um ano, acrescentou a fonte que pediu para não ser identificada. Ao anunciar a suspensão de Rio Colorado, a empresa citou que "no contexto macroeconômico atual os fundamentos econômicos do projeto não estão alinhados com o compromisso da Vale com a disciplina na alocação do capital e a criação de valor".

Há cerca de um ano a empresa já mostrava preocupações com inflação, impostos, infraestrutura e política cambial do país vizinho.

"Não há como o governo interferir para que as empresas não revejam seus investimentos se o ambiente é adverso", disse a fonte.

O governo poderia influenciar as decisões de algumas empresas que investem na Argentina por meio da Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) --ambas instituições têm participação acionária em diversas companhias.

Atuam na Argentina, além da Vale, que tem a Previ entre os principais acionistas, outras grandes empresas brasileiras como a JBS, maior frigorífico do mundo, com participação do BNDES, e a BRF, uma das principais empresas de alimentos do Brasil, na qual a Previ também é a acionista.   Continuação...