Rebeldes tomam capital da República Centro-Africana e presidente foge

domingo, 24 de março de 2013 17:50 BRT
 

BANGUI, 24 Mar (Reuters) - Rebeldes na República Centro-Africana assumiram o controle da capital Bangui após intenso combate neste domingo, forçando o presidente François Bozizé a fugir e aumentando o temor de instabilidade no coração da África.

Pelo menos nove soldados sul-africanos foram mortos em confrontos com os rebeldes, segundo uma testemunha ouvida pela Reuters, representando um golpe à tentativa da África do Sul de estabilizar a caótica nação e afirmar a sua influência na região.

A coalizão rebelde Seleka retomou os ataques nesta semana na ex-colônia francesa e rapidamente se dirigiu o sul em direção a Bangui com o objetivo de derrubar Bozizé, a quem acusa de ter rompido um acordo de paz firmado em janeiro que estipulava a integração dos combatentes ao Exército.

"O palácio acabou de cair. Nós tomamos o palácio", afirmou o porta-voz da Seleka, Eric Massi, à Reuters por telefone, de Paris.

Funcionários de alto escalão do governo confirmaram que os rebeldes tomaram a cidade de mais de 600.000 pessoas que fica às margens do rio Oubangi, fronteira com a República Democrática do Congo. Moradores relataram saques de casas e empresas.

A violência é a mais recente de uma série de incursões, conflitos e golpes de rebeldes que têm assolado o país, que possui ricas jazidas de ouro, diamantes e urânio, desde a sua independência da França em 1960.

A República Centro-Africana é uma nação sem saída para o mar, tem fronteiras extensas e desprotegidas e há mais de uma década enfrenta rebeliões no meio rural. O avanço rebelde é mais um fator de instabilidade no centro da África.

O paradeiro de Bozizé, que tomou o poder em um golpe militar em 2003 apoiado pelo vizinho Chade, era incerto. Um assessor do presidente disse que ele tinha atravessado o rio para o Congo na manhã deste domingo, enquanto as forças rebeldes se dirigiam para o palácio presidencial.

O chanceler francês, Laurent Fabius, confirmou que Bozizé havia fugido de Bangui, mas não deu detalhes sobre o seu destino. Ele apelou para que 1.200 cidadãos franceses no país mantenham a calma e fiquem em suas casas.   Continuação...