Dilma gostaria de ver Ronaldo no comando do COL, diz fonte

sexta-feira, 5 de abril de 2013 18:15 BRT
 

Por Jeferson Ribeiro

BRASÍLIA, 5 Abr (Reuters) - O governo está preocupado que as críticas ao presidente do comitê organizador da Copa do Mundo de 2014, José Maria Marin, causem prejuízos à imagem do país e à organização do torneio, e o ex-atacante Ronaldo, atual membro do comitê, é o preferido da presidente Dilma Rousseff para comandar a entidade, disse nesta sexta-feira uma fonte com conhecimento do assunto.

Dilma simpatiza com a possibilidade de Ronaldo substituir o dirigente de 80 anos no comando do COL, mas determinou que o governo "fique longe da confusão" envolvendo Marin, afirmou a fonte, falando sob condição de anonimato.

Marin, que além de comandar o Comitê Organizador Local da Copa também é o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), é alvo de uma campanha liderada pelo ex-jogador e atual deputado federal Romário (PSB-RJ) para deixar o comando das entidades, sob acusações que vão desde irregularidades na CBF ao fato de Marin ter supostamente colaborado com o regime militar.

"Não podemos deixar uma pessoa que têm sua história ligada à ditadura militar figurar ao lado da presidente Dilma Roussef na abertura da Copa recebendo outros chefes de Estado. Seria um enorme constrangimento para o Brasil", disse Romário por meio de sua assessoria de imprensa, acrescentando que apoia Ronaldo para o comando do COL. "Não vejo nome melhor."

Uma das acusações diz respeito a uma gravação de áudio divulgada no YouTube, cuja voz é atribuída a Marin, em que a pessoa que fala faz acertos com um interlocutor não revelado sobre as eleições internas da CBF, incluindo comentários sobre "agradar esses caras" para "não termos nenhuma surpresa".

Em outro vídeo, a voz atribuída a Marin faz críticas ao ministro do Esporte, Aldo Rebelo, que após saber da divulgação das gravações disse em entrevista à Reuters esperar que o presidente da CBF preste esclarecimentos.

Marin assumiu o comando da CBF e do COL há pouco mais de um ano, após a renúncia de seu antecessor, Ricardo Teixeira, que deixou o cargo em meio a denúncias sobre diversas irregularidades. Assim como o atual presidente das entidades, que nunca foi recebido em particular por Dilma, o ex-dirigente não gozava de prestígio junto ao governo.

Acusações de corrupção já mancharam a imagem da CBF em outros momentos. Em 2000, a entidade foi alvo de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Congresso Nacional para apurar possíveis irregularidades no contrato de patrocínio com a Nike, que permanece até hoje como fornecedora de material esportivo da equipe.   Continuação...