Montadoras de veículos pedirão ao governo incentivo à exportação

segunda-feira, 22 de abril de 2013 19:33 BRT
 

Por Alberto Alerigi

SÃO PAULO, 22 Abr (Reuters) - As montadoras instaladas no Brasil pedirão ao governo federal incentivos para aumentar as exportações veículos, tendo como meta vendas externas de 1 milhão de unidades anuais nos próximos anos, mais do que o dobro do previsto para 2013, anunciou nesta segunda-feira o novo presidente da Anfavea.

A proposta vem em um momento em que as montadoras, responsáveis por 23 por cento do PIB industrial do país, já são beneficiadas por aumento do imposto de importação, desoneração das vendas internas e com entrada em vigor do regime automotivo Inovar-Auto, que prevê redução de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para empresas que conseguirem melhorar a eficiência de consumo de combustível de seus veículos e investirem em produção local.

Em sua primeira entrevista como novo presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, o diretor de assuntos governamentais da General Motors no Brasil, Luiz Moan Yabiku, disse que o programa "Exportar-Auto", que será proposto ao governo, tem como objetivo inicial evitar queda nas vendas externas e, num segundo momento, ampliar o mercado para o produto brasileiro.

A última vez que o Brasil chegou perto do patamar de 1 milhão de veículos exportados foi em 2005, com cerca de 900 mil unidades. De lá pra cá, a forte expansão do mercado interno e as crises internacionais, além da queda na competitividade do Brasil, corroeram as vendas externas do país.

O pedido de criação do Exportar-Auto será oficializado pela Anfavea ao ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, em solenidade da entidade nesta segunda-feira.

Segundo Moan, entre os focos da proposta do Exportar-Auto será o ingresso do setor no Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado (Recof), mecanismo que prevê processos aduaneiros mais simplificados e desoneração da cadeia produtiva. Moan também citou como alvo a carga de 8,8 por cento de impostos sobre veículos que não são compensados com créditos tributários e que incidem diretamente sobre o custo das empresas.

"Se não fizermos nada, o número de 420 mil (veículos a serem exportados em 2013) vai cair", disse Moan. "No curto prazo nós poderemos alcançar a meta. Exportar 1 milhão de veículos é 20 por cento da produção esperada, sendo que em 2005 isso era 30 por cento (…) Estamos perdendo clientes por causa de preço, sem contar o efeito cambial", afirmou o executivo.

Ele evitou cravar quando a meta de 1 milhão deve ser alcançada, mas afirmou que espera que o número seja obtido até o fim de 2017.   Continuação...