Ethiopian Airlines é a primeira a voar com 787 Dreamliner desde proibição

sábado, 27 de abril de 2013 13:58 BRT
 

Aaron Maasho ADIS ABEBA, 27 de abril (Reuters) - A Ethiopian Airlines (ETHA.UL) se tornou no sábado a primeira companhia aérea do mundo a retomar os voos com o 787 Dreamliner da Boeing, fazendo o primeiro voo comercial de passageiros desde que a frota foi proibida de voar há três meses, depois de uma série de incidentes de superaquecimento nas baterias que fornecem energia auxiliar.

O voo de Adis Abeba para Nairóbi foi o primeiro desde que as autoridades competentes proibiram todos os Dreamliners de levantar voo no dia 16 de janeiro, depois que duas baterias de lítio-íon tiveram problemas de superaquecimento em duas aeronaves, de companhias aéreas diferentes, ao longo de duas semanas naquele mês. As autoridades americanas aprovaram um novo projeto para a bateria na semana passada, abrindo caminho para a instalação e retomada dos voos com o Dreamliner por todas as companhias aéreas do mundo.

Os defeitos da bateria levantaram temores de um possível incêndio em pleno voo, atraindo atenção mundial para a Boeing e prejudicando a reputação do seu principal avião.

"Eu não sabia que ia voar no Dreamliner 787 até estar a caminho do aeroporto. Foi um voo agradável ," disse Senait Mekonnen, etíope, dono de um restaurante, momentos depois do avião pousar. O voo lotado chegou ao aeroporto internacional Jomo Kenyatta International, em Nairóbi, pela manhã e os passageiros deram uma salva de palmas para a tripulação depois que o avião aterrissou.

A proibição de voar do Dreamliner custou à Boeing cerca de 600 milhões de dólares, suspendeu as entregas da aeronave e obrigou algumas companhias aéreas a alugarem aviões para substituí-los.

O desenvolvimento do Dreamliner custou cerca de 20 bilhões de dólares e representa um salto quântico em termos de design, oferecendo uma redução de 20 por cento no consumo de combustível e acrescentou confortos na cabine, como por exemplo, uma maior umidade, janelas maiores e estilo moderno.

Mas, ao provocar temores de um incêndio em pleno voo, os problemas nas baterias atraíram a atenção mundial, tanto para a segurança das aeronaves, quanto para a tecnologia por trás das baterias de lítio-íon, que são amplamente utilizadas em laptops, celulares, carros elétricos e outros produtos.

Depois do segundo incidente, as companhias aéreas foram rapidamente proibidas de voar com a aeronave de 250 lugares, cujo preço de tabela é de 207 milhões de dólares.

O NTSB (US National Transportation Safety Board) - Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos EUA - abriu uma investigação em grande escala para encontrar a causa do fogo de Boston e examinar o processo através do qual a FAA (Federal Aviation Administration) - Administração Federal de Aviação dos EUA aprovou o projeto do Boeing. O NTSCB ainda não encontrou a causa, e depois das audiências da semana passada, a investigação continua.

A última vez que uma frota de aeronaves foi impedida de voar foi há mais de uma geração, em 1979, quando a FAA proibiu o DC-10 da McDonnell Douglas de voar depois de um acidente em Chicago que matou 273 pessoas.

(jpveiga@uol.com.br)

 
Integrante da tripulação de cabine vestida com traje tradicional dentro de uma aeronave Dreamliner 787 da Ethiopian Airlines, após ter pousado no aeroporto internacional de Jomo Kenyatta, em Nairóbi, capital do Kenya, 27 de abril de 2013. A Ethiopian Airlines se tornou no sábado a primeira companhia aérea do mundo a retomar os voos com o 787 Dreamliner da Boeing, fazendo o primeiro voo comercial de passageiros desde que a frota foi proibida de voar há três meses. 27/04/2013 REUTERS/Thomas Mukoya