Argentinos recorrem a cofres bancários para proteger seus dólares

terça-feira, 28 de maio de 2013 17:38 BRT
 

Por Guido Nejamkis

BUENOS AIRES, 28 Mai (Reuters) - Em uma agência bancária no centro de Buenos Aires, na Argentina, um grupo de pessoas espera ansiosamente para que um funcionário os conduza, de dois em dois, até seus cofres.

"O ritmo é tremendo. É assim todo o dia. Indo e vindo, não para nunca", se queixou o funcionário, cansado de ter de escoltar até o recinto que abriga os cofres dezenas de clientes diariamente.

Na Argentina, os cofres bancários se converteram em um bem cobiçado por empresas, investidores e poupadores, que buscam um lugar seguro para guardar seus dólares devido ao medo de que o governo os confisque.

Os argentinos guardam fora do sistema bancário entre 40 bilhões e 50 bilhões de dólares sem declarar. Também guardam suas notas verdes em geladeiras, debaixo de colchões ou de um piso solto, e até em potes de cozinha.

Segundo o governo, o país é o segundo do mundo atrás da Rússia, sem contar os Estados Unidos, com maior quantidade de notas físicas de dólares nas mãos de indivíduos.

A demanda de cofres aumentou devido à incerteza gerada por restrições à compra de dólares impostas no fim de 2011 para frear a fuga de capitais. Os cofres ficaram tão populares que alguns bancos estudam cobrar uma taxa adicional daqueles que acionarem seus cofres com uma frequência fora do normal.

"Venho tirar dólares do cofre cada vez que preciso. Não guardo dinheiro em contas, e menos dólares. Não confio no sistema bancário, não confio em ninguém neste país", disse Andrea, uma advogada de 45 anos que pediu anonimato e que demorou um mês para conseguir um cofre.

Desde o início do controle cambial, o peso argentino perdeu quase a metade de seu valor pela alta demanda do dólar no mercado negro, e os poupadores retiraram cerca de 8 bilhões de dólares dos bancos, quase 50 por cento dos depósitos em moeda estrangeira.   Continuação...