ANÁLISE-Dilma vive pior momento e revê abordagens política e econômica

sexta-feira, 7 de junho de 2013 18:17 BRT
 

Por Eduardo Simões

SÃO PAULO, 7 Jun (Reuters) - A presidente Dilma Rousseff, no pior momento de seu governo encurralada por uma economia fraca e ressentimentos na base aliada, terá que adotar um tom ainda mais conservador na política econômica e desencantar as promessas de maior interlocução com os partidos que a apoiam.

Diante de um cenário em que os obstáculos à sua frente parecem se avolumar, o governo Dilma já começou a trilhar um caminho mais ortodoxo na política econômica, embora analistas afirmem que um aperto fiscal ainda é o elo perdido no conjunto de medidas adotadas nas últimas semanas.

No Congresso --terreno pantanoso para a presidente desde sua posse--, o governo tem buscado alterar parte do receituário adotado desde janeiro de 2011, quando a presidente tomou posse. Mas como Dilma acenou com mudanças na relação com os aliados em outros momentos, deputados e senadores ainda estão ressabiados se novamente não estão diante de uma promessa vazia.

Parte da mudança passa por aumentar o ritmo de liberação de emendas parlamentares, negociar previamente com as lideranças temas mais espinhosos e ampliar a dose de carinho com os aliados, levando-os em viagens e inaugurações pelo país, repartindo parte do capital político de Dilma.

"Esse é o pior momento do governo. Se você pegar o bloco dos oito anos do governo Lula e dos dois anos e meio do governo dela, pior do que esse momento só mesmo aquele processo do mensalão", disse à Reuters o cientista político Carlos Melo, do Insper (Instituto de Ensino e Pesquisa).

Após crescer apenas 0,9 por cento no ano passado, a economia está novamente frustrando as expectativas. No primeiro trimestre, a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) foi de 0,6 por cento sobre o período anterior. A inflação oficial está no teto da meta do governo, acumulando alta de 6,50 por cento em 12 meses até maio.

Para combater o cenário ruim, a equipe econômica mudou o tom. O Banco Central iniciou um ciclo de aumento do juro e o governo eliminou parte das barreiras cambiais existentes.

As mudanças, no entanto, ainda não foram suficientes para agradar ao mercado financeiro. E mais uma notícia negativa surgiu com a agência de classificação de risco Standard & Poor's rebaixando a perspectiva da nota da dívida brasileira para "negativa", citando preocupações com o afrouxamento fiscal, entre outros motivos.   Continuação...