13 de Junho de 2013 / às 12:32 / 4 anos atrás

Vendas no varejo no Brasil sobem 0,5% em abril, abaixo do esperado

Consumidores examinam equipamento de som em loja da Casas Bahia, em São Paulo. As vendas no varejo brasileiro tiveram alta de 0,5 por cento em abril ante março, e registraram elevação de 1,6 por cento em relação a igual mês de 2012, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira. 7/02/2013. REUTERS/Nacho Doce

Por Rodrigo Viga Gaier e Camila Moreira

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO, 13 Jun (Reuters) - As vendas no varejo brasileiro decepcionaram em abril, apesar de terem voltado a crescer na variação mensal depois de dois meses, ainda impactadas pela inflação elevada contaminando o consumo, principalmente em supermercados.

Segundo informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira, as vendas cresceram apenas 0,5 por cento em abril ante março, ainda mostrando retração nas vendas de supermercados.

“A situação da inflação é preocupante para o comércio. E a taxa de câmbio também pode influenciar no ritmo do comércio em 2013”, afirmou o economista do IBGE Reinaldo Pereira, referindo-se à recente desvalorização do real, que pode tornar os bens importados mais caros, empurrando os preços para cima.

Na comparação com um ano antes, as vendas no varejo subiram 1,6 por cento, o pior resultado para um mês de abril desde 2003, quando houve queda de 3,4 por cento.

“Esse número veio baixo e os supermercados seguraram o resultado. Realmente, o preço alto está inibindo as compras no supermercado. O que há é substituição: ou você muda a marca ou opta por um produto mais barato”, completou Pereira.

Analistas ouvidos pela Reuters esperavam alta de 1,40 por cento na comparação mensal e de 3,50 por cento na base anual, segundo as respectivas medianas das previsões.

SUPERMERCADOS X INFLAÇÃO

Segundo o IBGE, as vendas de Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo registram queda de 0,5 por cento em abril sobre o mês anterior, após recuos de 2,1 por cento em março e de 1,5 por cento em fevereiro.

Sobre um ano antes, essas vendas caíram 5,4 por cento em abril, único resultado negativo entre os segmentos pesquisados.

“O resultado relativamente mais forte em abril reflete o desempenho um pouco melhor do mercado de trabalho. De todo modo, a inflação mostrou-se ainda resistente no período, com aceleração no índice geral e uma desaceleração ainda muito discreta nos preços de alimentação no domicílio”, destacou a Tendências em nota.

A resistência da inflação em patamares elevados afetou o setor varejista no início deste ano, pesando com força sobre as vendas dos supermercados diante da redução do poder de compra das famílias.

Mas a desaceleração dos preços dos alimentos pode ajudar a aliviar a pressão inflacionária. Já por conta disso, em maio, o IPCA registrou a menor alta em quase um ano, de 0,37 por cento, mas ainda permaneceu no teto da meta do governo, de 4,5 por cento, com margem de 2 pontos percentuais para mais ou menos.

“A boa notícia é que a queda dos preços no atacado deve começar a se refletir nos preços ao consumidor de forma mais intensa a partir de junho. Devemos ter um quadro melhor no segundo semestre (para o varejo)”, destacou a economista-chefe da Rosenberg & Associados, Thais Marzola Zara.

ARTIGOS FARMACÊUTICOS E LIVROS

O IBGE informou ainda que sete das dez atividades pesquisadas, incluindo as do varejo ampliado, tiveram resultados positivos na comparação mensal, segundo o IBGE, mostrando alguma recuperação depois de as vendas varejistas terem ficado estáveis em março (dado revisado ante a queda de 0,1 por cento divulgada anteriormente). Em fevereiro, as vendas caíram 0,4 por cento.

As maiores altas mensais em abril ficaram com as vendas de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (6,4 por cento ante queda de 1,7 por cento em março) e de Livros, jornais, revistas e papelaria (4,5 por cento após queda de 5,9 por cento no mês anterior).

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GRÁFICO: Vendas no varejo e confiança do consumidor:

link.reuters.com/quj37s

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No comércio varejista ampliado --que inclui o setor automotivo e material de construção-- as vendas registraram avanço de 1,9 por cento sobre março. Na comparação anual, houve aumento de 9,1 por cento

Em abril, ainda segundo o IBGE, a receita nominal subiu 0,8 por cento ante março, com alta de 10,4 por cento na comparação anual.

PERSPECTIVAS

Para Thais, da Rosenberg & Associados, é preciso novos dados para se ter uma avaliação melhor da tendência.

“Pelo menos por enquanto tenho perspectiva de crescimento de algo perto de 0,8 por cento no segundo trimestre. Os dados de comércio em maio ainda devem ficar perto da estabilidade, mas junho deve ter resultado melhor”, diz ela, que estima expansão de 2,5 por cento neste ano.

Em relatório, o Bradesco informou que prevê queda de 0,5 por cento em maio. “O crescimento das vendas no varejo continua fraco em termos reais”, afirmou o diretor de Pesquisas e Estudos Econômicos do banco, Octavio de Barros.

Também a confiança do consumidor segue instável. Depois de interromper em abril uma sequência de seis quedas seguidas, em maio o índice da Fundação Getulio Vargas voltou a cair.

Essa confiança pode ser ainda mais abalada pelo fator dólar. Como lembrou Pereira, do IBGE, se o dólar continuar subindo ante o real, “piora o quadro inflacionário e aí você tem repercussão na demanda do comércio varejista”. Em maio, o dólar teve alta de 7 por cento.

E para completar o quadro, as recentes altas da taxa básica de juros pelo Banco Central também afetam o crédito e, consequentemente, o consumo.

No primeiro trimestre, o consumo --que vinha sustentando a economia doméstica-- pouco contribuiu para alta de 0,6 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) ante os três meses imediatamente anteriores. No período, o consumo das famílias teve variação positiva de apenas 0,1 por cento, o pior desempenho desde o terceiro trimestre de 2011.

Diante desse cenário, o mercado vem reduzindo as expectativas de crescimento da economia neste ano, e elas já rondam o nível de 2,5 por cento.

Reportagem adicional de Felipe Pontes; no Rio de Janeiro

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