São Paulo e Rio cedem à pressão e revogam aumento do transporte

quarta-feira, 19 de junho de 2013 22:35 BRT
 

Por Eduardo Simões e Silvio Cascione

SÃO PAULO, 19 Jun (Reuters) - Os governos de São Paulo e Rio de Janeiro cederam às pressões populares e revogaram nesta quarta-feira o aumento das tarifas dos transportes públicos, após uma onda de manifestações que tomou nos últimos dias as ruas de diversas cidades do país.

A decisão de voltar atrás no aumento-- que deu início às maiores manifestações populares no país em duas décadas-- foi anunciada simultaneamente pelos prefeitos das duas maiores cidades do país e pelo governador de São Paulo. Mas mesmo com a revogação do aumento, ainda não está claro se os protestos irão continuar no país.

Na capital paulista, o preço do bilhete de ônibus voltará a ser de 3,00 reais. O valor da tarifa do metrô e do trem metropolitano, sob alçada do governo do Estado, também será reduzido para o mesmo preço, frente aos atuais 3,20 reais.

"Vamos ter que cortar investimentos, porque as empresas (de transportes) não têm como arcar com essa diferença", afirmou o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB).

Alckmin fez o anúncio de redução da tarifa ao lado do prefeito da cidade de São Paulo, Fernando Haddad (PT), pouco após o governo federal afirmar que não tem condições de reduzir mais tributos do setor de transportes.

Na cidade do Rio, o prefeito Eduardo Paes (PMDB) disse que a passagem de ônibus voltará a 2,75 reais, depois de ter subido para 2,95 reais no início do mês, e enfatizou que isso terá um impacto anual no orçamento do município de cerca de 200 milhões de reais.

"Decidimos, em conjunto com a Prefeitura de São Paulo, suspender o aumento dos 20 centavos concedidos no início de junho" disse Eduardo Paes, acrescentando que as duas maiores cidades do país precisavam mostrar "nosso respeito e atenção a essa absoluta maioria de pessoas que foi às ruas manifestar sua insatisfação".

"Ainda vamos estudar como isso vai ser feito. Vamos ter que pressionar o Congresso para que medidas sejam tomadas e os custos sejam repartidos", acrescentou o prefeito carioca.   Continuação...

 
Manifestante é visto atrás da bandeira do Brasil durante protestos contra serviços públicos em São Paulo nesta quarta-feira. 19/06/2013 REUTERS/Alex Almeida