ESPECIAL-Riscos ambientais podem gerar problemas a porto de Eike Batista

quinta-feira, 11 de julho de 2013 13:55 BRT
 

Por Jeb Blount

SÃO JOÃO DA BARRA, Brasil, 10 Jul (Reuters) - À medida que o bilionário Eike Batista desmembra seu império industrial em desintegração para saldar suas dívidas, um dos ativos que ele espera manter é o projeto do porto da LLX Logística.

No entanto, levantar os 600 milhões de dólares a mais necessários para concluir o único projeto da LLX, o enorme Porto do Açu, estimado em 2 bilhões de dólares, no norte do Rio de Janeiro, poderá exigir esforços.

Com uma vez e meia o tamanho da ilha de Manhattan, Açu foi projetado para aliviar os atrasos causados ​​pelos congestionados portos do Brasil e para atender à crescente indústria de petróleo. Mas ele também é questionado por cientistas que alegam que sua construção está poluindo o ecossistema das áreas no entorno com sal.

Levantar dinheiro para qualquer projeto associado a Eike, um empreendedor em série que chegou a dizer que se tornaria o homem mais rico do mundo, não vai ser fácil. Desde 2010, os papéis das empresas do Grupo EBX perderam 50 bilhões de dólares em valor para seus acionistas. O Grupo EBX controla a LLX e outras cinco empresas de capital aberto, todos marcadas com um "X" por Eike para significar "a multiplicação de riqueza".

Embora existam fortes razões comerciais para investir em um porto gigante que aliviaria parte dos gargalos de transporte que afetam as exportações de commodities, das quais o Brasil é um dos líderes, alguns investidores podem não querer a exposição a uma empresa enfrentando possíveis responsabilidades ambientais e ações judiciais potencialmente custosas.

Eduardo Santos de Oliveira, um agressivo procurador da República, já abriu um processo contra o porto para determinar a responsabilidade civil por supostos danos ambientais. Oliveira, procurador em Campos dos Goytacazes, a maior cidade próxima do porto, já havia chamado a atenção global ao abrir a maior ação ambiental já vista no Brasil.

Naquele caso, ele pediu cerca de 40 bilhões de reais da petroleira Chevron e da operadora de sondas Transocean por um vazamento de petróleo em 2011. Embora as acusações criminais tenham sido rejeitadas em fevereiro, e a expectativa de que o processo civil seja uma pequena fração do pedido de Oliveira, o caso provocou calafrios em toda a indústria de petróleo brasileira.

"Eu não sou nenhum especialista em meio ambiente", disse Will Landers, que administra 6,5 bilhões de dólares em investimentos na América Latina para a Blackrock, maior gestora de recursos do mundo. "Mas o fato de você precisar ser um para investir neste tipo de projeto deve limitar significativamente o grupo de investidores que algum dia poderiam estar dispostos a se entreter dando dinheiro novo para qualquer empresa do Grupo EBX", disse Landers, nascido em São Paulo.   Continuação...

 
José Roberto de Almeida, 51 anos, caminha em sua propriedade, próximo a um cartaz do super projeto de Açu, do grupo do bilionário Eike Batista, no Estado do Rio de Janeiro. À medida que o bilionário Eike Batista desmembra seu império industrial em desintegração para saldar suas dívidas, um dos ativos que ele espera manter é o projeto do porto da LLX Logística. 12/03/2013 REUTERS/Ricardo Moraes