8 de Agosto de 2013 / às 13:34 / em 4 anos

Recurso contábil ajuda Braskem a cortar prejuízo no 2o tri

Por Roberta Vilas Boas

SÃO PAULO, 8 Ago (Reuters) - A petroquímica Braskem reduziu o prejuízo líquido no segundo trimestre, ante igual período do ano passado, e evitou uma perda bilionária ao adotar recurso contábil de classificar parte de seus passivos em dólar como hedge de suas futuras exportações.

Ao mesmo tempo, a empresa sinalizou melhora nas expectativas operacionais, após registrar crescimento nas suas vendas no primeiro semestre. A empresa prevê agora que a demanda por resinas em toda a indústria no Brasil crescerá em torno de 7 por cento neste ano, ante a previsão anterior de 5 por cento.

A empresa encerrou o período de abril a junho de 2013 com prejuízo líquido de 128 milhões de reais, abaixo do resultado negativo de 1,033 bilhão de reais registrado um ano antes. Segundo a empresa, caso a operação de hedge não tivesse sido adotada, as perdas seriam de 1,082 bilhão de reais. No primeiro trimestre, a maior petroquímica da América Latina teve lucro de 227 milhões de reais.

A Braskem anunciou em julho que havia decidido classificar, a partir de 1o de maio, parte de seus passivos em dólar como hedge de suas futuras exportações em estratégia semelhante à adotada pela Petrobras.

O resultado da estratégia permitiu à companhia reduzir fortemente o impacto contábil negativo da desvalorização de 10 por cento do real frente ao dólar para 126 milhões de reais. “Caso essa prática não tivesse sido adotada, esse impacto no resultado financeiro da Braskem teria sido negativo em 1,5 bilhão de reais”, informou a companhia no balanço.

Embora considere que o quadro da economia global continua desafiador, a Braskem melhorou sua expectativa para demanda de resina no Brasil, em meio ao forte desempenho de alguns setores e após registrar crescimento de 14 por cento nas vendas para o mercado interno no primeiro semestre, ante igual período de 2012.

“Tem setores que estão performando melhor, como infraestrutura e varejo, que no ano passado foram impactados pela questão da sacolinha, que nós conseguimos reverter”, afirmou o presidente da empresa, Carlos Fadigas, a jornalistas, em referência a proibição as sacolas plásticas que chegou a vigorar nos supermercados em 2012.

Fadigas ressaltou que no primeiro semestre, com a valorização do câmbio e consequente aumento nos preços de resinas, clientes da empresa aproveitaram para estocar produtos, e por isso, o crescimento na demanda no restante do ano deve ser mais fraco. “O setor comprou a mais e estocou. Acredito que vai comprar menos (no segundo semestre), mas isso não vem da economia, e sim do consumo de estoques”.

A empresa mantém a meta de investir 2,2 bilhões de reais neste ano, tendo já investido 1,06 bilhão nos seis primeiros meses do ano.

Na divulgação de resultados, afirmando que o quadro da economia global continua “desafiador”, a Braskem defendeu desoneração de matérias-primas do setor petroquímico, prevista por medida provisória publicada em maio, mas criticou a decisão do governo de não renovar a medida que eleva a alíquota de importação para diversos produtos-- entre eles, o polietileno.

“O Ministério da Fazenda já disse que não pretende renovar a medida, e isso tende a ter impacto no market share da Braskem”, disse.

A companhia teve geração de caixa medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado de 1,051 bilhão de reais no período, alta de 24 por cento sobre um ano antes. A margem passou de 9,4 para 11 por cento.

PREÇOS

Segundo a companhia, menores preços médios de insumos como nafta e gás tiveram impactos positivos minimizados pela valorização do dólar. O custo de produtos vendidos acabou subindo 4 por cento sobre o segundo trimestre de 2012.

Para o restante do ano, a Braskem vê estabilidade no preço da nafta em torno de 800 dólares a tonelada. No segundo trimestre deste ano, o preço médio da matéria-prima usada pela empresa ficou em 831 dólares, ante 945 dólares por tonelada no trimestre imediatamente anterior.

A Braskem ainda apurou aumentos nas taxas de utilização de suas unidades produtivas de eteno, polietileno e polipropileno e também nos Estados Unidos e Europa, na comparação anual.

“O mercado brasileiro de resinas (PE, PP, PVC) atingiu 1,4 milhão de toneladas, uma alta de 10 por cento em relação ao primeiro trimestre, influenciado pelo bom desempenho dos setores de agronegócio, automotivo e infraestrutura, bem como o reabastecimento de estoques”, informou a companhia no balanço.

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