14 de Agosto de 2013 / às 15:26 / em 4 anos

Vendas no varejo brasileiro avançam 0,5% em junho

Mulher acompanhada da filha examina uma máquina de lavar em um loja da rede Casas Bahia, em São Paulo. As vendas no varejo brasileiro cresceram abaixo do esperado em junho, com queda em setores importantes como supermercados e tecidos e vestuário. Em junho, as vendas varejistas no país apresentaram alta mensal de 0,5 por cento, após estabilidade em maio e avanço de 0,6 por cento em abril, segundo informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira. O principal destaque foi Móveis e eletrodomésticos, com avanço de 1,8 por cento em junho. 18/02/2013. REUTERS/ Nacho Doce

Por Rodrigo Viga Gaier e Camila Moreira

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO, 14 Ago (Reuters) - As vendas no varejo brasileiro cresceram abaixo do esperado em junho, com queda em setores importantes como supermercados e tecidos e vestuário, mais uma evidência de que a recuperação da atividade econômica continua sem fôlego.

Em junho, as vendas varejistas no país apresentaram alta mensal de 0,5 por cento, após estabilidade em maio e avanço de 0,6 por cento em abril, segundo informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira. Na comparação com o mesmo mês do ano passado, houve aumento de 1,7 por cento em junho.

Com isso, o varejo encerrou o primeiro semestre com crescimento acumulado de 3 por cento, segundo o IBGE, o mais baixo desde o segundo semestre de 2005, quando houve queda de 1,9 por cento.

“Esse processo de desaceleração do comércio tem a ver com o crescimento menor da renda, impacto da inflação, efeitos dos juros sobre o crédito e uma desocupação estável”, explicou a economista do IBGE Aleciana Gusmão.

Os resultados do varejo em junho ficaram abaixo da mediana das expectativas em pesquisa da Reuters, cuja projeção era de alta de 0,65 por cento na comparação com o mês anterior e de 2,20 por cento ante junho do ano passado.

SUPERMERCADOS

Seis das dez atividades pesquisadas tiveram resultados positivos na comparação mensal. O principal destaque foi Móveis e eletrodomésticos, com avanço de 1,8 por cento em junho, último mês antes da recomposição parcial do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre linha branca e móveis, no período de julho e setembro.

No caminho contrário, o setor de Hiper e supermercados registrou queda de 0,4 por cento em junho ante maio, enquanto Tecidos, vestuário e calçados mostrou recuo de 1,4 por cento.

Neste ano, as vendas de Hiper e supermercados caíram em 4 dos 6 meses pesquisados na comparação sazonal, e acumulam no ano alta de apenas 0,3 por cento.

A alta da inflação de alimentos é o motivo para o desempenho fraco do setor esse ano. Enquanto o IPCA encerrou o mês de junho com alta em 12 meses de 6,7 por cento, os alimentos em domicílio somaram 13,6 por cento.

“Há uma adaptação nos hábitos de consumo porque o aumento nos preços é forte. A renda ao mesmo tempo cresce agora num ritmo menor que antes”, avaliou o economista do IBGE Reinaldo Pereira.

Em relação a igual período de 2012, destacou-se o aumento de 8,2 por cento nas vendas no setor de Combustíveis e lubrificantes em junho, ainda segundo o IBGE, o que deu a maior contribuição para a taxa do varejo, de 48 por cento, desbancando os tradicionais líderes Supermercados e Eletrodomésticos.

“Há um estímulo ao consumo de automóveis com o IPI mais baixo, e com a frota maior a venda de combustíveis aumenta”, disse Aleciana. “O preço dos combustíveis vem subindo menos em 12 meses que a inflação por ser um preço administrado e isso também favorece ao consumo”.

O segundo maior peso veio de Outros artigos de uso pessoal e doméstico, com 43 por cento, após alta de 7,8 por cento no volume de vendas.

O IBGE informou ainda que a receita nominal do varejo avançou 0,9 por cento na base mensal, com alta de 9,9 por cento na comparação anual.

No comércio varejista ampliado --que inclui o setor automotivo e material de construção-- as vendas registraram alta de 1 por cento em junho ante maio, segundo o IBGE. Na comparação anual, houve queda de 2 por cento.

O IBGE também revisou os dados das venda de maio ante o mesmo mês de 2012, passando de alta de 4,5 por cento para avanço de 4,4 por cento.

ECONOMIA

O comércio varejista também teve de enfrentar os protestos que atingiram o país em junho, fechando lojas em vários momentos inesperados naquele mês. E as manifestações reduziram a confiança dos consumidores, já abalada pelas perspectivas de fraqueza do crescimento.

“Um ambiente volátil é ruim pela incerteza e há também a queda da confiança. Continua o crescimento modesto da economia com bastante volatilidade da economia”, destacou o economista sênior do Espírito Santo Investment Bank, Flávio Serrano.

Para ele, o resultado do varejo não altera a perspectiva de o Banco Central elevar a taxa básica de juros Selic em 0,5 ponto percentual neste mês, encerrando o ano a 9,25 por cento.

Reportagem adicional de Felipe Pontes, no Rio de Janeiro

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