ANÁLISE-Empresas ligadas a veículos ainda brilham, mas economia preocupa

terça-feira, 27 de agosto de 2013 06:58 BRT
 

Por Roberta Vilas Boas

SÃO PAULO, 27 Ago (Reuters) - Empresas ligadas ao setor automotivo brasileiro, incluindo concessionárias de rodovias e seguradoras, passaram quase ilesas pela fraca atividade econômica do país na primeira metade de 2013, mas a proximidade do fim dos incentivos estatais que acompanham o setor desde 2009 traz interrogações sobre a manutenção do vigor do segmento.

De carona no aumento de 4,8 por cento nos licenciamentos de veículos leves e de 5,1 por cento nas vendas de caminhões no semestre, as concessionárias de rodovias CCR e Ecorodovias tiveram um aumento de quase 10 por cento da receita bruta com pedágio no primeiro semestre.

A fabricante de implementos rodoviários e autopeças Randon também foi beneficiada pelo aumento da frota de caminhões, registrando lucro líquido de 108,6 milhões de reais no período, quase oito vezes acima do ganho obtido um ano antes.

"Existe uma correlação que é alta entre licenciamentos de veículos e tráfego nas rodovias", afirmou Cláudia Oshiro, analista de logística na Tendências Consultoria.

Enquanto isso, de olho no crescimento de 26 por cento na frota do país entre 2009 e 2012, para 37,3 milhões de veículos, companhias ligadas ao setor -- como as locadoras Unidas e Ouro Verde e a empresa de rastreamento Sascar -- mantêm de pé seus pedidos para listarem ações na Bovespa.

O movimento vai na direção oposta à adotada por empresas de outros setores, como a Votorantim Cimentos e a empresa aérea Azul, que suspenderam recentemente suas ofertas iniciais de ações (IPO, na sigla em inglês), por conta da situação adversa dos mercados.

As seguradoras também se beneficiaram da expansão da frota de veículos. A Porto Seguro teve crescimento de 21,3 por cento nos prêmios auferidos em seguros de automóveis no primeiro semestre, na comparação anual, para 3,55 bilhões de reais.

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